16/12/1976: As balas da ditadura contra a direção do PCdoB


No livro que produziu para a Fundação Maurício Grabois em 2012 – Vidas, veredas: paixão – o escritor e jornalista paranaense Luiz Manfredini dedicou todo um capítulo ao dramático episódio conhecido como Chacina da Lapa. O relato, que segue abaixo, começa numa residência em Pequim, onde estavam hospedados João Amazonas, Renato Rabelo e Dynéas Aguiar.
Chacina da Lapa, SP, 16 de Dezembro de 1976
Há 37 anos a ditadura militar brasileira cometia sua derradeira atrocidade: invadiu uma casa no bairro paulistano da Lapa, onde se reunia parte da direção nacional do PCdoB. Do violento ataque restaram mortos o histórico dirigente comunista Pedro Pomar e Ângelo Arroyo, um dos comandantes da guerrilha do Araguaia. João Batista Drumond, jovem dirigente vindo da Ação Popular, foi assassinado sob tortura já no dia seguinte. E foram presos Aldo Arantes, Haroldo Lima, Wladimir Pomar, Elza Monnerat, Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade.

Tristeza na primavera de Pequim

Na manhã de final de primavera em Pequim, 17 de dezembro de 1976, um dirigente do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCCh) compareceu inesperadamente à casa em que estavam hospedados três importantes visitantes estrangeiros: João Amazonas, Dynéas Aguiar e Renato Rabelo, dirigentes do Partido Comunista do Brasil. A fisionomia grave com que encarou os camaradas brasileiros superava a habitual formalidade chinesa. Foi direto ao ponto: a agência noticiosa chinesa divulgara havia pouco que a polícia invadira a casa em que se reunia o Comitê Central do PCdoB, num bairro de São Paulo. Havia mortos e presos.

João Amazonas, o único entre os três a conhecer o endereço, o confirmou: Rua Pio XI, 767, no bairro da Lapa, onde habitualmente se reunia a direção nacional do Partido. O número total de baixas e as respectivas identificações ainda estavam confusos no despacho da agência chinesa.

O dirigente chinês, respeitoso e compungido, apresentou aos brasileiros as condolências e a solidariedade do PCCh, retirando-se em seguida. Na sala ficaram os brasileiros com sua dor.

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Aldo Arantes descia as escadarias da estação Paraíso do metrô quando um grupo de policiais que pareceu surgir do nada lhe caiu em cima, aos berros e trambolhões, sem lhe dar chance de reação. Passava das dez da noite do dia 15 de dezembro de 1976. Encapuzado, lançado no chão de um carro, ali mesmo começou a apanhar.

Menos de uma hora antes Aldo e Haroldo Lima haviam desembarcado nas proximidades do Ibirapuera de um carro do qual a marca, o modelo e a cor não conheciam, porque vendados. Recém terminara a reunião do Comitê Central do PCdoB e ambos compunham uma das duplas que, a intervalos, deixariam a casa onde ocorrera o encontro ultrassecreto. Antes haviam saído João Batista Drummond e Wladimir Pomar. Os próximos, Jover Telles e José Novaes, sairiam na madrugada seguinte, conduzidos pelo motorista Joaquim Lima e por Elza Monnerat, integrante do Comitê Central e participante da Guerrilha do Araguaia, encarregada do transporte dos participantes da reunião. Na casa restaria o histórico dirigente Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, um dos comandantes do Araguaia, e Maria Trindade, que lá morava e ajudava na infraestrutura.

João Batista Drummond e Wladimir Pomar foram presos na região da Avenida Nove de Julho, logo após desembarcarem do mesmo carro em que, horas depois, viajariam Aldo Arantes e Haroldo Lima. Este foi seguido até em casa e preso na manhã do dia seguinte. A dupla Jover Telles e José Novaes saiu ilesa, mas não Elza Monnerat e o motorista Joaquim Celso de Lima, presos após deixá-los em algum ponto da cidade. Na manhã seguinte, 16, a casa da Rua Pio XI foi atacada por uma força descomunal de policiais e militares fortemente armados. Cobriram-na de balas, matando Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Maria Trindade, militante que ali morava, foi presa.

As reuniões do Comitê Central, realizadas a cada seis meses, eram cercadas de medidas extremas de segurança. Contavam sempre com apenas metade dos seus membros, que se revezavam, de modo que ao menos uma parte da direção restasse a salvo de eventual ataque repressivo. Os membros, apanhados sempre à noite em locais da cidade combinados com pouca antecedência, seguiam vendados até o local da reunião e assim permaneciam até que o carro estacionasse numa garagem fechada, com entrada direta para a casa. Os procedimentos durante a reunião eram rigorosos. Nenhum vizinho deveria suspeitar do encontro, razão pela qual a regra do silêncio era absoluta na sala com portas e janelas cerradas. Nenhuma voz elevada, nenhum debate veemente, nenhum cumprimento efusivo, nenhum movimento que resultasse em ruídos. Para todos os efeitos ali morava um casal de idosos – João Amazonas e Elza Monnerat – e os empregados Joaquim e Maria. Tudo bastante convencional.

Mas nada disso resistiu ao que de pior poderia acontecer: a existência de um traidor entre os dirigentes ali reunidos. Jover Telles, baseado no Rio de Janeiro, havia sido preso três meses antes, sem que ninguém soubesse, e negociado com a polícia. Em troca do bom tratamento, da liberdade e de algumas vantagens, entregaria a reunião do Comitê Central do Partido. Foi o que fez. Levou a repressão ao ponto onde seria apanhado para a reunião. E a polícia armou seu plano de ataque. Durante os dias em que esteve reunido com seus camaradas, Jover portou-se como se nada de anormal houvesse ocorrido.

O único dos participantes da reunião que escapou, fora o próprio Jover, foi José Novaes, que teve a sorte de sair da casa em dupla com o traidor, poupado pela polícia. Jover desapareceu antes mesmo que raiasse o dia 16 de dezembro. Somente tempos depois investigações revelaram sua traição.

As torturas começaram já após as prisões, no DOI-Codi da tristemente famosa Rua Tutóia. João Batista Drummond não resistiu e morreu horas depois. Aldo, Haroldo, Elza Monnerat e Wladimir Pomar (filho de Pedro Pomar) foram transferidos para o Rio, na madrugada do dia 17 de dezembro, onde as sevícias, sob os mais perversos requintes, se prolongaram por dias a fio no macabro quartel da Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Notório centro de torturas da ditadura, lá Aldo Arantes ouviu o que jamais abandonaria sua memória e que lhe vem frequentemente como pesadelo: certa madrugada foi acordado pelos gritos lancinantes de um homem adulto que, massacrado pelo suplício, suplicava pela mãe, não por Deus, não pelo pai, mas pela mãe. Na madrugada de terror, aquele clamor agônico: “Mãe! Mãe! Mãe”.

De volta a São Paulo, continuaram a ser torturados no DOPS e no DOI-Codi, até serem transferidos para o presídio do Hipódromo e, depois, para o do Barro Branco.

Haroldo e Aldo foram condenados a cinco anos de prisão. À pena de Haroldo somaram-se mais cinco anos de um processo anterior. Mas foram libertados bem antes, no segundo semestre de 1979, com a anistia.


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No dia seguinte às prisões, ainda no DOPS paulista, um policial olhou fixamente Haroldo Lima, cara a cara e, com satisfeita gravidade, quase soletrando as palavras, como se as degustasse, disse:

– Comunico-lhe que o seu PCdoB acabou. 

Era o tom oficial: a liquidação do Partido. Nesse dia, 17 de dezembro, um jornal mancheteava: "O PCdoB foi destruído" – e foi seguido pelo restante da mídia.

Em Pequim, João Amazonas, Dynéas Aguiar e Renato Rabelo sabiam que o Partido não fora liquidado, mas a ditadura havia atingido – e muito gravemente – sua cabeça. O Comitê Central estava pulverizado, seus membros no Brasil ou se encontravam mortos, ou presos ou desarticulados. Urgia, portanto, recompor a vanguarda partidária, o que implicava, em primeiro lugar, reunir numa direção provisória os dirigentes que se encontravam no exterior. Aos três de Pequim, se somaria Diógenes Arruda, exilado na França, Nelson Levi, que morava em Portugal, e Dynéas Aguiar, que fazia a ponte Buenos Aires/Paris.

A primeira iniciativa foi assegurar a edição mensal da A Classe Operária, cuja matriz era enviada a alguns contatos no Brasil, para reprodução, e também para a rádio Tirana, onde era veiculada no programa diário em língua portuguesa. Este era o único vínculo da direção provisória com pelo menos parte das bases partidárias espalhadas pelo país e sem ligação entre si. Em seguida, o desafio era localizar dirigentes no Brasil, na perspectiva de reorganizar o Partido a partir da realização de uma conferência nacional.

Dynéas ocupou-se dessa tarefa. Fora do Brasil desde 1972, para articular na América Latina a solidariedade à luta do povo brasileiro e difundir a Guerrilha do Araguaia, voltou a Buenos Aires, onde ainda residia e, a partir de lá, começou a recompor sua rede de contatos. Trabalho difícil e cuidadoso. Não conhecia boa parte dos dirigentes, muitos dos quais vindos ao Partido após a incorporação da AP. Ademais, não se sabia ainda o que havia ocorrido, de fato, na casa da Lapa, nem mesmo quantos estavam presos. Havia especulações, a mais dramática delas sobre possível infiltração. Assim, com extrema cautela, os contatos começaram a ser feitos, primeiro no Rio Grande do Sul, depois em São Paulo e, a partir daí, com Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um contato puxando o outro, tudo vagaroso, arrastado, porque em meio a rigorosas precauções. 
Capa do livro: Vidas, veredas: paixão

Fonte: Portal Vermelho (www.vermelho.org.br)

Flávio Dino bate os dois candidatos de Roseana em SL


Em pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi em que o jornal O Imparcial teve acesso com exclusividade, o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B) lidera a disputa para o governo do Maranhão nas eleições 2014 nos municípios da Grande Ilha. O levantamento aponta que na pesquisa estimulada o comunista teria 31% dos votos, a deputada estadual Eliziane Gama teria 25,8% dos votos, o secretário estadual de Infraestrutura (PMDB) 24,8% e Marcos Silva (PSTU) 3%. Em outro cenário que é retirado o nome de Eliziane, Flávio Dino pula para 38,5%, Luís Fernando sobre para 28,2% e Marcos Silva atinge 7,2%.

Brancos e nulos somam 9,2% e outros 10,7% ainda não sabem em quem votar ou não responderam ao questionário. A margem de erro estimada é de 2,5 pontos percentuais, em um intervalo de confiança de 95%.

O levantamento de campo foi realizado entre os dias 09 e 10 de dezembro. O Vox Populi adotou amostra estratificada por cotas, com o total de 600 entrevistas, para obter representatividade para o conjunto dos quatros municípios da região metropolitana: São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

Espontânea

No quesito em que não é colocado nomes para o entrevistado, o presidente da Embratur, também lidera a pesquisa com 12,8%, seguido por Marcos Silva com 7%, depois Luís Fernando e Roseana Sarney com 5%, cada. Ainda são citados na pesquisa: João Alberto 3%; Eliziane Gama 2,3%; Gil Cutrim (PMDB), Edson Lobão (PMDB), Roberto Rocha (PSB), Clemilton Fenaes, Edivaldo Holanda Júnior (PTC) todos com 2% e por último João Castelo com 1,5% (PSDB).

Rejeição

O eterno candidato Marcos Silva lidera o índice de rejeição nas eleições 2014, de acordo com a pesquisa Vox Populi. O levantamento aponta que na pesquisa estimulada quando é feito a seguinte pergunta: “Em qual destes candidatos você não votaria de jeito nenhum para governador do Maranhão?” o líder operário lidera com 29,2% da rejeição, seguido de Flávio Dino 17,5%, Luís Fernando com 10,5% e Eliziane Gama 4%.

A margem de erro estimada é de 2,5 pontos percentuais, em um intervalo de confiança de 95%.

Senado

A Pesquisa Vox Populi também avalia possíveis cenários para o Senado, revelando que a governadora Roseana Sarney (PMDB) é a preferida com 31,8%, o vice-prefeito de São Luís, Roberto Rocha (PSB) e o deputado federal Domingos Dutra (SDD) estão empatados tecnicamente em segundo lugar na disputa das intenções de voto dos eleitores maranhense para uma vaga no senador em 2014. Rocha tem 16,2% e Dutra aparece com 15,2%.

Em outro cenário estimulado pelo instituto, coloca-se o ministro do Turismo, Gastão Vieira, no lugar da governadora. Dessa forma Roberto Rocha (PSB) assume a liderança com 20,7%, seguido pelo ex-petista com 17% e logo em seguida pelo peemedebista 12,8%.

A margem de erro estimada é de 2,5 pontos percentuais, em um intervalo de confiança de 95%.

Os números de branco e nulo varia entre 23% e 28,5%, respectivamente de acordo com os dois cenários. Não sabem e não responderam 13,8% e 21%.

Na espontânea para Senador, lidera Domingos Dutra com 7%, sendo seguido pela dupla eleita em 2010 Edson Lobão e João Alberto com 5%. Roseana Sarney vem em seguida com 4%. Bira do Pindaré (PSB) e Eliziane Gama são citados por 3% do eleitorado. Gastão Vieira, José Sarney (PMDB), Flávio Dino, Haroldo Saboia (PSOL), Edivaldo Holanda Júnior e João Castelo apresentam 2%, enquanto que Roberto Rocha 1,7%.

Na rejeição para o Senado, a governadora lidera com 24,8%. Domingos Dutra tem 11,3%, Gastão Vieira 10,5% e Roberto Rocha 7,5%.
Presidente

O Vox Populi também mediu a intenção de votos para presidente na Grande Ilha e o resultado apontou Dilma (PT) na liderança com 58,5%, Aécio Neves (PSDB) tem 11%, Randolfe Rodrigues (PSOL) e Eduardo Campos (PSB) são citados 8% e 5,7% do eleitorado.

Em quem você votaria para governador?

Espontânea

Flávio Dino 12,8%
Marcos Silva 7%
Luís Fernando 5%
Roseana Sarney 5%, 
João Alberto 3%
Eliziane Gama 2,3%

Cenário 1

Flávio Dino 31%
Eliziane Gama 25,8%
Luís Fernando 24,8% 
Marcos Silva (PSTU) 3%. 
Branco/Nulo 9,2%
NS/NR 10,7%

Cenário 2

Flávio Dino 38,5%
Luís Fernando 28,2% 
Marcos Silva atinge 7,2%.
Brancos e Nulo 15,5%
NS/NR 10,6%

Em quem você não votaria de jeito nenhum para governador?

Marcos Silva 29,2% 
Flávio Dino 17,5%
Luís Fernando 10,5%
Eliziane Gama 4%

Em quem você votaria para Senador?

Cenário 1

Roseana Sarney 31,8%
Roberto Rocha 16,2%
Domingos Dutra 15,2%
Cenário 2
Roberto Rocha 20,7%, 
Domingos Dutra 17% 
Gastão Vieira 12,8%.

TORTURADOS - A DOR NÃO PASSA


O delegado aposentado da Polícia Civil Aparecido Laertes Calandra cumpriu a convocação da Comissão Nacional da Verdade e prestou depoimento à CNV. Ouvido após sete ex-presos políticos testemunharem, o ex-agente, que serviu no Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), do II Exército, em São Paulo, onde ele afirma ter trabalhado oito anos, e também no Dops, caiu em diversas contradições ao ser confrontado com documentos que comprovam que ele atuou na linha de frente da repressão política.

Acompanhado de seu advogado, Paulo Esteves, Calandra respondeu às perguntas formuladas pelos membros da CNV Pedro Dallari (coordenador) e José Carlos Dias. Perguntado se havia trabalhado no Doi-Codi, Calandra primeiramente negou, dizendo que trabalhava como assessor jurídico do 2º Exército, entretanto, ao ser confrontado com vários documentos assinados por ele (veja foto), quando trabalhava no Doi-Codi, o ex-delegado disse que trabalhou 8 anos naquele centro de tortura, mas que era um burocrata.
Questionado mais de uma vez sobre o que era exatamente a sua função de assessoramento jurídico no Doi-Codi, Calandra disse que confeccionava autos de apreensão, requisições diversas. Ao ser confrontado com o teor de sua ficha funcional da Polícia Civil (veja foto), a qual registrava ofício do 2º Exército, datado de 14 de abril de 1977, elogiando-o por "eficiência e dedicação, na execução das mais diversas atividades, durante o ano de 1976, visando à consecução dos objetivos propostos no combate à subversão e ao terrorismo, como integrante do Sistema de Informações do 2º Exército", o ex-delegado disse que estava sendo elogiado por sua atividade burocrática.

Indagado como ele poderia afirmar que estava sendo elogiado por "combate à subversão e ao terrorismo" atuando apenas burocraticamente, Calandra voltou a negar que tenha torturado pessoas ou desrespeitado direitos humanos, seja quando trabalhou no Dops ou no Doi-Codi. Ele afirmou também nunca ter visto ou ouvido torturas e que nunca foi conhecido como capitão Ubirajara. E atribui a engano os fatos de que é acusado: "Atribuo isso a engano pessoal das pessoas que estão fazendo as acusações", disse.

Para os membros da CNV, Pedro Dallari e José Carlos Dias, o depoimento de Calandra "não é crível". "Não é crível que o senhor não tenha tido contato com qualquer pessoa, ou não tenha tido nenhuma informação sobre o que se publica e o que notoriamente acontecia no Doi-Codi de São Paulo. Portanto, os esclarecimentos que o senhor poderia prestar seriam muito úteis à comissão. Por razões que só o senhor sabe avaliar, o senhor está tomando outra opção, que nós temos que respeitar, porque vivemos num estado de direito", afirmou Dallari à Calandra no final da audiência.

VÍTIMAS – Antes de Calandra, a CNV ouviu os depoimentos de cinco ex-presos políticos: da assessora da Assembleia Legislativa de São Paulo Maria Amélia Almeida Teles; do vereador paulistano Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog; da aposentada Darci Miyaki; do jornalista Sérgio Gomes e do deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva. A CNV exibiu também vídeos com depoimentos de outros dois ex-presos: o deputado federal Nilmário Miranda e o jornalista Artur Scavone, gravados, respectivamente nos dias 9 e 10 de dezembro.

Nos depoimentos, os presos políticos foram categóricos em afirmar que Calandra participou das torturas e outras sevícias no Doi-Codi e que ele era uma figura entre os agentes da repressão daquele centro de tortura que perdia em importância apenas para Ustra. "Ele era do segundo nível da cadeia de comando", afirmou Adriano Diogo, que disse categoricamente que Calandra torturou sua esposa, na ocasião em que o casal foi preso, em março de 1973.

"Sua especialidade era a humilhação. Gostava especialmente de torturar mulheres. Ele torturou minha mulher", disse o deputado.

Darci Miyaki afirmou que foi violentada várias vezes no Doi-Codi de São Paulo e que sofreu choques nas suas partes íntimas. "Não dá para descrever, um torturador enfiar um fio na sua vagina, na sua parte mais íntima. Me tornei uma mulher estéril. O ato sexual, depois de tudo isso, se tornou algo muito estéril pra mim", afirmou a militante, presa e torturada no Rio e depois transferida para São Paulo, onde também foi violentada. "A primeira coisa que fizeram comigo foi tirar a minha roupa", afirmou.

A aposentada afirmou que a violência sexual também se estendia aos homens. "O Ubirajara (Calandra) entrou na minha cela e disse: 'o Helcio está sendo empalado'", contou Darci. Helcio era Helcio Pereira Fortes, preso também no Rio, e assassinado no Doi-Codi de São Paulo em janeiro de 1972.
Gilberto Natalini e Nilmário Miranda contaram que foram torturados pessoalmente por Calandra. "Numa das sessões de choque e espancamento, os torturadores se revezavam na máquina de choque, Calandra entre eles", afirmou Natalini.

Miranda disse ter sido interrogado com o uso da cadeira do dragão, cadeira de metal ligada a eletrodos por Calandra. "Aquilo era para machucar, para desestabilizar, para demonstrarem que têm poder sobre seu corpo. Tentar te intimidar", afirmou.

Amélia Teles emocionou-se ao lembrar de sua prisão com o marido e o militante comunista Carlos Nicolau Danielli, assassinado no Doi-Codi de São Paulo, sob tortura. O coronel Ustra sequestrou os filhos de Amélia, então com 4 e 5 anos na época e os levou até a sala onde ela e o marido eram torturados, nus, com choques elétricos pelas equipes do Doi-Codi. "Eles perguntaram: mãe, porque você tá azul e o papai está verde", contou Amelinha.

Perguntada se havia sido torturada diretamente por Calandra, Amelinha não teve dúvidas. "Fui torturada e interrogada por ele. Pessoalmente", disse. A tortura aplicada, contou, foram choques elétricos durante interrogatório, ocorrido em 1973, na qual foi questionada sobre a esposa de Danielli.
O advogado José Carlos Dias avaliou a audiência como uma das mais importantes realizadas pela CNV. "Várias pessoas vieram contar os horrores que passaram lá. Uma mulher contou sobre a violência gratuita, inclusive contra o que é mais sagrado, que é a sua intimidade e ele nega tudo isso. É impossível. Os vizinhos ouviam os gritos e ele que estava lá não ouviu? É uma desfaçatez! Agora nós cumprimos o nosso dever que foi perguntar e demonstrar que vivemos em um Estado de direito e que damos todas as garantias, e que não vivemos mais na época da tortura", afirmou.

Pecuarista de Imperatriz está entre os melhores criadores de nelore do Brasil


O médico Gilson Kyt (foto), ex-presidente da Associação Comercial de Imperatriz, agropecuarista, figura entre os melhores criadores de Nelore no Brasil pelo projeto de seleção genética da raça que desenvolve em suas propriedades. Na noite desta quinta-feira 12 ele receberá premiação como um dos melhores do ranking na regional Norte no tradicional Nelore Fest, que acontece em São Paulo. 

O evento é promovido pela ACNB (Associação de Criadores de Nelore do Brasil) e reúne os principais representantes de um dos setores de maior importância para a economia nacional: a pecuária. A cadeia produtiva da carne bovina contará com selecionadores de genética, criadores, recriadores, invernistas, confinadores, frigoríficos, assessores pecuários, consultores de campo, técnicos e pesquisadores. Também participam  personalidades, grandes empresários e investidores do mercado agropecuário e de capitais. 

A festa  marca o encerramento do calendário anual de atividades da raça Nelore que valoriza os criadores, profissionais e personalidades que se destacaram ao longo do ano. Entre as categorias que serão premiadas estão: Excelência no Agronegócio, Nova Geração, Amigo do Nelore, Incentivador da Raça, Família Nelorista, Criador Modelo, entre outras. Também serão entregues troféus ao Melhor Criador e ao Melhor Expositor dos Rankings Regionais e aos três melhores Criadores e Expositores das Copas Inter-regionais, juntamente com a premiação dos campeões do Ranking Nacional Nelore e Nelore Mocho, com as homenagens do Oscar da Pecuária e com a premiação dos vencedores da 11ª edição do Circuito Boi Verde Julgamentos de Carcaças.

A Nelore Fest 2013 conta com o patrocínio do Canal Rural, Dow Agrosciences e Programa Leilões, com apoio da Chevrolet, Revista Nelore e Revista O Zebu. O evento será transmitido ao vivo pelo Canal Rural.

Com informações da ACNB

Roseana oferece banquete à elite de Imperatriz


Na noite desta quarta-feira 11 a governadora Roseana Sarney vai fazer o que mais gosta em Imperatriz, a exemplo dos últimos anos. Receber convidados poderosos, cantar, tirar fotos e comer a vontade.

Os convivas sãos escolhidos, pela ordem, A) da elite econômica e social; B) dos políticos e partidos que apoiam incondicionalmente seu grupo; C) servidores do Estado (principalmente os nomeados e comissionados), os chamados figurantes. O local é a casa mais cara e mais procurada para eventos na cidade.

O povo, claro, fica fora da festança.

O universo sabe que a governadora não tem apreço por Imperatriz e cada viagem sua à segunda cidade mais importante do Estado, é um estresse para seu cerimonial. Adia, remarca, antecipa, cancela...

A conta da bebilança e comilança ninguém sabe quem paga, se o Estado ou a Prefeitura. Ou melhor, sabe-se sim: o povo, esse ilustre desconhecido da governadora.

Suzano entra no TO e expande área de plantio de eucalipto



O Programa de Parceira Florestal (PPF) da Suzano Papel de Celulose, que visa estimular o desenvolvimento regional através de parcerias com produtores locais para o fornecimento de madeira do eucalipto, também será realizado no Tocantins. O primeiro contrato do Programa no Estado foi assinado na modalidade Renda Verde, por meio de convênio da Suzano e o Banco do Brasil. 

O contrato estabelece uma área de plantio efetivo de eucalipto em 299 hectares da propriedade de Maju l, do produtor rural  ngelo Crema Marzola, localizada no município de São Bento do Tocantins. Com mais este contrato o acumulado de liberação financeira da Suzano Papel e Celulose, via convênio com o Banco do Brasil para o Programa de Parceria Florestal em 2013 chega ao valor de R$ 2.073.640,28. O Programa de Parceria Florestal já firmou 20 contratos num total de 5.083,67 há de plantio efetivo. Só no Estado do Maranhão, o Programa já firmou 10 Parcerias para o plantio de 2.669,69 hectares de eucalipto no Estado, seguido pelo Estado do Tocantins com 08 contratos firmados, perfazendo um total de 2.047,98 há de plantio efetivo que irão contribuir para produção de celulose na fábrica da Suzano, em Imperatriz-MA. 

A assinatura do primeiro contrato do Programa Parceria Florestal no Tocantins ocorreu durante o evento “Tocantins Florestal”, promovido em Palmas-TO, pelo Painel Florestal, com a realização da Secretaria Estadual de Agricultura e Pecuária (Seagro), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Tocantins e a Associação dos Reflorestadores do Tocantins (Aretins).

Na ocasião, a Suzano Papel e Celulose, patrocinadora do evento, apresentou uma palestra sobre o Programa Parceria Florestal, e também marcou presença por meio de um estande institucional, que expôs as atividades desenvolvidas pela empresa na região. 

Parceria Florestal

O Programa Parceria Florestal é realizado em três modalidades: Renda Verde, para proprietários com até 15 módulos rurais (medida adotada pelo Incra e IBGE), Invest Verde, para propriedades maiores que 15 módulos fiscais e menores que 90 módulos fiscais, e Empreende Verde para proprietários com áreas menores que 90 módulos fiscais. Nos três casos, a Suzano Papel e Celulose garante contratualmente a compra de diferentes percentuais da madeira produzida, de acordo com a modalidade. Em todas as modalidades, os parceiros tem a Parceria Florestal como mais uma oportunidade de negócio na Região de atuação da Companhia. 
Além disso, os produtores parceiros contam com o apoio e incentivo da empresa para realizar o planejamento do uso do solo de acordo com o órgão ambiental local e para a obtenção de licença de plantio, quando aplicável. A parceria inclui ainda a doação de mudas, assistência técnica, planta topográfica; Projeto junto à Instituição financeira e fiança, esse último na modalidade Renda Verde. 

Com informações da Assessoria de Imprensa da Suzano

Cutrim diz que Luís Fernando não pode ser candidato em caso de eleição indireta



O deputado Raimundo Cutrim (PCdoB) esclareceu, em pronunciamento na sessão da última segunda-feira (9), as regras da eleição indireta para governador, caso a governadora Roseana Sarney (PMDB) venha a deixar o cargo, no começo do próximo ano. O deputado disse que as regras são as mesmas da eleição direta, em relação, por exemplo, a prazo de desincompatiblização.

“Se porventura a governadora se afastar em abril, evidentemente teremos eleições indiretas. E vê-se muito falar de candidato A ou B. É muito história à vista da legislação. A Constituição Federal, a Estadual e a Lei Complementar n. 64 são bem claras: a eleição indireta é a mesma eleição direta, a única coisa que muda são os eleitores. Na eleição direta, a população é que elege seu governador, seu senador, seu deputado federal, seus deputados estaduais e assim sucessivamente. Na eleição indireta, é a mesma regra, a pessoa para ser candidato tem que ter os pré-requisitos”, afirmou.

Um dos pré-requisitos, de acordo com o parlamentar, é quem exerce algum cargo público precisa se afastar seis meses antes. Raimundo Cutrim garantiu que secretário A ou B não pode ser candidato no próximo ano, se houver eleição indireta, porque tinha que se desincompatibilizar até dia 22 de setembro deste ano “Se nenhum secretário se desincompatibilizou até o dia 22 de setembro, evidentemente que todos são inelegíveis”, enfatizou.

Quem poderá ser candidato, segundo Cutrim, se houver eleição indireta, são os deputados estaduais ou qualquer pessoa da população.

“São fatos e a legislação é bem clara: não há o que sonhar, a regra é a mesma, a única coisa que muda são os eleitores, pois na eleição indireta são votos de 42 deputados. Eu acho que é muita história, muita conversa, onde várias pessoas ficam sonhando e a regra é só uma: se alguém quiser ser candidato a governador, se por ventura haja uma eleição indireta, evidentemente que se é secretário passou o prazo do dia 22 de setembro da desincompatibilização”, finalizou.

Waldemar Ter / Agência Assembleia

IMPERATRIZ: Ex-presidente da Câmara Municipal busca o sétimo mandato

José Carlos disputa uma vaga no legislativo municipal pelo PSDB Seis mandatos, quase quatro décadas de vida pública, três vezes eleito segui...