ELEIÇÃO ESTÁ DEFINIDA, ANALISA JORNALISTA

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Pesquisas dão à eleição a aparência de ‘jogo jogado’

Josias de Souza

Divulgadas a pouco mais de 72 horas da eleição, as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope deram à sucessão de Lula uma aparência de jogo jogado.
Numa sondagem, a do Datafolha, a vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra é de 12 pontos. Em votos válidos: 56% a 44%.
Noutra, a do Ibope, a dianteira da petista é de 14 pontos: 57% a 43%, também na contabilidade que exclui os votos nulos, brancos e indecisos.
Nas duas pesquisas, os eleitores que ainda se declaram indecisos foram contados em 4%. Há dois dias, segundo o Datafolha, somavam 8%.
Os dados conduzem a três conclusões: 1) a vontade do eleitor petrificou-se. 2) A margem de manobra de Serra encurtou-se. 3) Dilma está na bica de virar presidente.
A supramacia de Dilma está muito distante das fronteiras da margem de erro dos levantamentos –dois pontos percentuais, nos dois casos.
A essa altura, um eventual triunfo de Serra desceria ao verbete da enciclopédia como enredo da falência dos maiores institutos de pesquisa do país.
Tomado pelo Datafolha, Serra tem cerca de 13 milhões de votos a menos que Dilma. Pelo Ibope, algo como 15 milhões de votos.
Como só há dois candidatos em campo, para se manter vivo no jogo, Serra precisaria seduzir entre 6,5 milhões e 7,5 milhões de votos até domingo.
Os indecisos somam cerca de 5 milhões de cabeças. Mas, historicamente, eles costumam se dividir entre as duas candidaturas, na proporção do resultado geral.
A prevalecer a lógica, Dilma deve atrair mais indecisos do que Serra. Significa dizer que, para ressuscitar, o tucano teria de “roubar” votos da petista.
Considerando-se que apenas três dias separam o eleitor da urna, Serra teria de conquistar algo entre 434 mil (Datafolha) e 500 mil votos por dia.
Confirmando-se o triunfo de Dilma, a vitória será mais de Lula do que da candidata. O presidente comandou a própria sucessão.
Na prática, o eleitor está concedendo a Lula uma espécie de terceiro mandato. Vota-se virtualmente nele, não nela.
Reelege-se, por assim dizer, o governo dele. Na perspectiva de que a gestão dela conserve o “êxito” refletido nos 83% de popularidade.
Numa campanha tisnada pela agenda religiosa e pela lama, virou fumaça a intenção de Serra de promover um cotejo da própria biografia com a de sua rival.
Guiada pela influência de Lula, a maioria do eleitorado opta, em verdade, por uma incógnita. Dilma há de ter qualidades. Porém...
Porém, se as possui não foi capaz de exibi-las na campanha. Preferiu vender a (falsa) impressão de que é uma supergerente.
A Dilma da propaganda eletrônica controlou toda a Esplanada com rédea curta. A Dilma real “não sabia” dos malfeitos que brotaram à sua volta, na Casa Civil.
Tampouco Serra logrou converter o currículo em prova de competência. Numa campanha errática, oscilou da adulação a Lula à crítica tardia...
...Da vergonha de FHC à defesa acanhada do legado tucano, da denúncia feroz à justificativa das próprias fragilidades.
A exemplo de Dilma, Serra inspirou mais dúvidas do que certezas. Com uma diferença: não dispõe de um Lula em quem se escorar.
Restou a Serra apostar na falência dos institutos de pesquisa.

(Post desta sexta, 29.10) no blog do jornalista na folha.com)

DATAFOLHA APONTA VITÓRIA DE DILMA

BRASIL É DEMOCRÁTICO E LAICO, DIZ LULA SOBRE DECLARAÇÃO DE PAPA


UOL Notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que o Brasil é um país democrático e laico, por isso a população se manifesta do jeito que quiser. "Eu acho que cada um vai de acordo com a sua consciência", disse, em referência à declaração dada ontem pelo papa Bento 16 para que os bispos brasileiros condenem a descriminalização do aborto. O tema vem sendo usado pela campanha dos candidatos a Presidência da República para conquistar votos.
"Não vejo nenhuma novidade na declaração do Papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe. Se você for ver o que a Igreja Católica falava há 2 mil anos, ela falava exatamente o que o papa falou", declarou Lula durante sua participação na 26ª edição do Salão Internacional do Automóvel, que acontece em São Paulo.
O presidente minimizou a polêmica criada em torno da fala do pontífice e sua possível interferência no pleito de domingo (31). "Isso pode ser falado a qualquer momento. Pode ser falado ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã", afirmou.
Para Lula, a declaração da Igreja reforça a liberdade que existe no país, porque "a gente se manifesta, a gente ganha ou a gente perde, a gente pode pagar o preço pelos erros que cometer". "Pelo reconhecimento da sociedade brasileira, parece que a gente teve mais acerto", concluiu.

O "MURO"


Guardem bem esse nome: Rubens Jr., deputado estadual do PCdoB. Pois é esse “gênio democrata”, o autor da proposta de criação de um tal Conselho de Comunicação no Maranhão. Vocês sabem para que serve esse monstro, esse trambolho? Censurar, perseguir e intimidar órgãos de comunicação e jornalistas. É isso mesmo, assim, na lata. O resto é balela de gente miúda, de monstrinhos sectários, de pensadorizinhos de meia palavra, de ditadorizinhos, de “anjinhos” nazistas.
O “muro” já começa a ser construído em pelo menos seis estados.
Apregoam que os conselhos estaduais foram definidos numa vergonhosa Conferência Nacional de Comunicação. Que se dane essa conferência. Os direitos de pensamento e livre expressão são valores universais, ultrapassam qualquer conselhozinho.
Aliás, já existem vários conselhos “para incentivar a participação popular nas políticas públicas”. Tudo mentira, tudo teatro de péssimo gosto. Esses conselhos não servem para nada. Basta ver aí na prática. Já viu conselho cobrando, denunciando o prefeito, o governador, o presidente, porque não cumpriram as metas estabelecidas em audiências públicas para cada área da administração? Na maioria, com raríssimas exceções, são formados por bajuladores dos governantes que aprovam as propostas que esses governantes querem. Os conselheiros não são remunerados, mas não é raro casos de gente que faz uma boquinha por fora. Quando muito, uns três ou quatros “esquerdistas progressistas” fazem barulho e gritam com vizinha encrenqueira. Só isso.
Que o próximo presidente, ou presidenta, meta a faca e corte pela raiz essa maluquice.
A História nos dá exemplos. Tudo começa timidamente, sob o manto da “vontade popular”, para depois desaguar nas perseguições, nos linchamentos morais, na corda no pescoço (às vezes literalmente).
Vamos denunciar esse casuísmo, vamos combater, vamos mostrar quem está a favor dessa canalhice.

Carlos Gaby é jornalista
Forte e chocante, ''Caterpillar'' fala sobre o horror da guerra longe do campo de batalha

ALESSANDRO GIANNINI
Editor de UOL Cinema
Keigo Kasuya no papel do tenente Tadashi Kurokawa,
personagem principal de "Caterpillar", de Kôji Wakamatsu

Forte, violento e polêmico, "Caterpillar" deixou uma sensação de desconforto em quem assistiu ao filme no Festival de Berlim 2010 e deverá produzir o mesmo em quem assistir o filme na Mostra de São Paulo 2010. O diretor japonês Koji Wakamatsu conta a história da relação entre Shigeko (Shinobu Terajima) e o seu marido, o tenente Kurokawa (Shima Ohnishi, premio de melhor interpretação feminina em Berlim), um herói da segunda guerra entre Japão e China que volta para casa sem os quatro membros, a visão embaçada e a audição e a fala prejudicadas por ferimentos e queimaduras da batalha.
Tudo se passa na pequena vila onde o casal e a família dele moram. Do momento em que Kurokawa é convocado pelo conselho da cidade para representar a comunidade no campo de batalha até o desenlace do filme a guerra aparece apenas em flashbacks do herói abatido e atormentado por sua imobilidade e dependência total da mulher. Ela faz tudo por ele, desde lhe dar a comida até o sexo, passando pela troca de roupas.
Mesmo tendo total controle sobre tudo, Shigeko se deixa dominar pelo marido - controlador, ciumento e violento mesmo sem condições físicas para isso. À medida que a cidade inteira volta as atenções para ela, por ser a responssável pelos cuidados de um herói, ele se ressente de estar imprestável.
Egresso da prisão e ex-diretor de filmes pornográficos, Wakamatsu choca com uma visão tão crua dessa relação de dependência e viciada em padrões conservadores. O foco, no entanto, está menos nas desgraças do tenente Kurokawa, que esconde na memória crimes de guerra hediondos, do que na ideia de que uma geração de mulheres e filhos mantidos longe do cenário da batalha em guerras passadas cresceram submetidos a uma pressão tão terrível quanto os homens que os deixaram para combater
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Sinopse

Em 1940, durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, o tenente Kurokawa retorna à sua terra natal como um soldado honrado e condecorado, mas sem os braços e as pernas, perdidos em uma batalha na China continental. Todas as esperanças dos membros da família e dos homens e mulheres da vila se voltam à Shigeko, a mulher do tenente. Para honrar o imperador e o país e tornar-se um exemplo para todos, ela deve assumir seu papel e cuidar do “soldado-Deus”.

O "MURO"



Guardem bem esse nome: Rubens Jr., deputado estadual do PCdoB. Pois é esse “gênio democrata”, o autor da proposta de criação de um tal Conselho de Comunicação no Maranhão. Vocês sabem para que serve esse monstro, esse trambolho? Censurar, perseguir e intimidar órgãos de comunicação e jornalistas. É isso mesmo, assim, na lata. O resto é balela de gente miúda, de monstrinhos sectários, de pensadorizinhos de meia palavra, de ditadorizinhos, de “anjinhos” nazistas.
O “muro” já começa a ser construído em pelo menos seis estados.
Apregoam que os conselhos estaduais foram definidos numa vergonhosa Conferência Nacional de Comunicação. Que se dane essa conferência. Os direitos de pensamento e livre expressão são valores universais, ultrapassam qualquer conselhozinho.
Aliás, já existem vários conselhos “para incentivar a participação popular nas políticas públicas”. Tudo mentira, tudo teatro de péssimo gosto. Esses conselhos não servem para nada. Basta ver aí na prática. Já viu conselho cobrando, denunciando o prefeito, o governador, o presidente, porque não cumpriram as metas estabelecidas em audiências públicas para cada área da administração? Na maioria, com raríssimas exceções, são formados por bajuladores dos governantes que aprovam as propostas que esses governantes querem. Os conselheiros não são remunerados, mas não é raro casos de gente que faz uma boquinha por fora. Quando muito, uns três ou quatros “esquerdistas progressistas” fazem barulho e gritam com vizinha encrenqueira. Só isso.
Que o próximo presidente, ou presidenta, meta a faca e corte pela raiz essa maluquice.
A História nos dá exemplos. Tudo começa timidamente, sob o manto da “vontade popular”, para depois desaguar nas perseguições, nos linchamentos morais, na corda no pescoço (às vezes literalmente).
Vamos denunciar esse casuísmo, vamos combater, vamos mostrar quem está a favor dessa canalhice.

SENSUS: DILMA, 51,9%; SERRA, 36,7%


Camila Campanerut
Do UOL Eleições

Pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transportes) e divulgada nesta quarta-feira (27), aponta a candidata do PT, Dilma Rousseff com 51,9% das intenções de voto contra 36,7% do tucano José Serra. Brancos e nulos totalizaram 4,7% e indecisos, 6,8%.
Na análise apenas dos votos válidos (que excluem nulos e brancos), Dilma ficou com 58,6% ante 41,4% de Serra. A margem de erro é de 2, 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Na pesquisa espontânea, em que os candidatos não são identificados aos entrevistados, Dilma teve 50,4% das intenções de votos e Serra obteve 35,7%.  Outros nomes citados pontuaram 0,3% e o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva ainda foi citado por 0,2% dos entrevistados. Os votos brancos e nulos somaram 4,6% e os que não sabem ou não responderam correspondem a 8,9%.
Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, a retomada de Dilma nas pesquisas se deve à mudança na discussão entre os candidatos nos últimos dias. “A discussão de valores, como o aborto, perdeu força e voltou a discussão de propostas. Dilma ganhou vantagem com isso”, afirmou.
Realizada entre os dias 23 e 25 de outubro, a pesquisa entrevistou 2.000 eleitores em 24 Estados, com sorteio aleatório de 136 municípios, e foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37609/2010, no dia 20 de outubro.

Rejeição e expectativa de vitória

Com relação ao índice de rejeição, Serra tem 43% ante 32,5% da ex-ministra-chefe da Casa Civil.
“Essa é a maior rejeição de Serra desde o início da pesquisa deste pleito”, destacou Clésio Andrade, ao comparar o número com o levantamento da CNT/Sensus feito entre 11 e 13 de outubro, quando a rejeição de Serra era de 37,5% contra 35,4% da petista.
Questionados sobre a expectativa de vitória, 69,7% dos entrevistados disseram acreditar que a candidata petista ganharia a eleição presidencial. contra 22,3% acreditam que o tucano seria o vencedor do segundo turno. Indecisos somam 8,1%.
Com relação ao levantamento feito entre os dias 11 e 13, a expectativa de vitória de Dilma aumentou quase 10 pontos percentuais (era de 59,6%) enquanto a do tucano apresentou queda (era 29%), assim como o número de indecisos, que era de 11,4%.
Como a pesquisa foi realizada entre sábado (23) e segunda (25), a repercussão do mais recente debate televisivo entre os presidenciáveis, promovido pela Rede Record no último domingo, não foi medido.

Votos por região

Em comparação com o levantamento da CNT/Sensus feito entre os dias 18 e 19 de outubro e divulgado no último dia 20, a candidata Dilma Rousseff apresentou aumento na expectativa de votos em todas as regiões do país, com exceção do Sul, onde o tucano José Serra ainda mantém a liderança.
No Norte e Centro-Oeste, que representam 15,1% do eleitorado, a petista obteve 50,7% das intenções de voto contra 40,4% de Serra. No  levantamento anterior, a ex-ministra tinha 42,1% contra 52,6% do tucano.
No Nordeste, onde estão 28% do eleitores, Dilma aparece com 66, 3% e Serra com 25,5%. Na avaliação anterior, Dilma tinha 57,5% e Serra, 34,8%.
No Sudeste, onde que concentra 42,4% do eleitorado, a candidata recebeu 48,4% das intenções de votos ante 36,7% de Serra. Na pesquisa passada, Dilma tinha 44,2% e Serra, 41,6%.
E no Sul, que possui 14,6% dos eleitores, o candidato do PSDB cresceu mais: passou de 45,1% para 54%, enquanto a petista caiu de 38,2% para 35,4%.

SERRA CORRE RISCO DE DESMOBILIZAÇÃO

Estagnação no Datafolha pode desanimar militância do PSDB

Fernando Rodrigues
Blog no UOL Notícias

A pesquisa Datafolha realizada hoje (26.out.2010) indica uma estabilidade total em relação ao levantamento da semana passada. Hoje, Dilma Rousseff (PT) tem 56% dos votos válidos. José Serra (PSDB) tem 44%. São exatamente os mesmos percentuais do dia 21.out.2010.
Ou seja, a diferença entre a petista e o tucano continua sendo de 12 pontos.
Nessa circunstância, a virada tucana fica um pouco mais longe no horizonte das possibilidades. O risco maior a esta altura para Serra é a desmobilização daqueles que são seus apoiadores.
O reduto serrista se concentra nas regiões Sul e Sudeste. São também daí os eleitores que mais costumam viajar em feriados prolongados, como esse de Finados que estará emendado ao domingo (31.out), dia da eleição.
Um aumento de abstenção no Sul e no Sudeste tende a prejudicar mais a Serra do que a Dilma. E como os eleitores tucanos podem se desanimar se as pesquisas mostrarem pouca chance de virada, as coisas se complicam mais para o candidato do PSDB.
Do lado de Dilma também há riscos. Por exemplo, o ânimo exacerbado que acaba relaxando os militantes –cujo raciocínio pode ser do tipo “se já está tudo definido, não preciso me esforçar”. Como esse erro já foi cometido pelos petistas no 1º turno, em tese, não se repetirá agora.
Por fim, o Datafolha ainda encontra 8% de indecisos e 5% que votam em branco ou nulo. Só haveria uma virada se ocorresse algo estatisticamente impossível: todos se decidindo a favor de Serra. Em geral, os indecisos se dividem proporcionalmente aos candidatos de acordo com o percentual que cada um já tem.

MADEIRA FAZ "VAQUINHA" PARA SERRA NO SINDICATO RURAL


 Madeira e Sabino: "vaquinha" para Serra

O prefeito Sebastião Madeira joga todas para tentar evitar uma derrota humilhante de José Serra em Imperatriz.
Depois de fazer carreata com o candidato derrotado Jackson Lago e outras inexpressivas lideranças (excetuando-se Carlinhos  Amorim), com um resultado desastroso, o prefeito partiu para o corpo a corpo para arrecadar dinheiro para Serra.
Acompanhado do secretário de Indústria e Comércio, o pecuarista Sabino Costa, Madeira correu a sacolinha no Sindicato Rural de Imperatriz e conseguiu arrecadar dos associados cerca de R$ 50 mil, segundo uma fonte ligada à entidade.
Com uma “vaquinha” dessa agora a campanha de Serra deslancha em Imperatriz.

ROMEU TUMA MORRE AOS 79 ANOS EM SP

O senador Romeu Tuma (PTB) morreu às 13h desta terça (26) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, decorrente de uma hemorragia. O corpo será velado na Assembleia Legislativa de São Paulo. A informação foi passada pela assessoria do parlamentar.
Paulista de ascendência síria, Tuma tinha 79 anos e estava internado na UTI do hospital desde o começo de setembro, para tratar de um quadro de insuficiência renal e respiratória. Ele, que sofria de diabetes e problemas cardíacos, permanecia ligado a aparelhos de diálise e de respiração artificial. No último dia 2, ele havia sido submetido a uma cirurgia cardíaca, para colocação de um dispositivo de assistência ventricular que auxilia o coração, chamado Berlin Heart. Desde então, seguia internado.
Nas últimas eleições, ele concorreu pela terceira vez ao Senado pelo PTB, mas desde o início da campanha a vitória era tida como improvável por conta da fragilidade de sua saúde. Ficaram com as vagas Aloysio Nunes (PSDB) e Marta Suplicy (PT). Tuma ficou em quinto lugar e obteve 3,9 milhões de votos (10,79%).
Antes de chegar ao PTB, militou pelo Democratas. Quando a legenda se chamava PFL, foi relator do processo de expulsão do então deputado federal Hildebrando Pascoal, acusado de serrar opositores. Também com parecer de Tuma, o partido expulsou o deputado estadual capixaba Carlos Gratz, por envolvimento com o crime organizado.
TUMA NA POLÍTICA - A vida de Tuma na política foi consequência de sua carreira como policial. Formado em Direito pela PUC-SP, foi investigador, delegado e diretor de polícia especializada na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Em 1983, assumiu a Superintendência da Polícia Federal paulista e em seguida se tornou diretor-geral da PF, onde ficou até 1992.
Ainda nesse posto, acumulou os cargos de Secretário da Polícia Federal e Secretário da Receita Federal, quando instituiu a recepção de declarações do Imposto de Renda por meio digital. Também foi assessor especial no governo de São Paulo, na gestão de Luiz Antônio Fleury Filho.
Em 1995, assumiu mandato de senador pela primeira vez, eleito junto do hoje presidenciável José Serra (PSDB). Reelegeu-se em 2002 para atuar até 2011. No Congresso Nacional, foi eleito corregedor do Senado, cargo criado em 2006 e ocupado apenas por ele até hoje.
Entre seus principais trabalhos policiais, que o levariam a cargos políticos, estão a descoberta de ossadas de um dos mais procurados criminosos de guerra da Alemanha nazista, o médico Joseph Mengele, e a captura do mafioso italiano Thomazzo Buscheta, cujas confissões abalaram o crime nos EUA e na Itália.
Tuma também ficou conhecido por ter sido um dos policiais mais atuantes durante os anos do regime militar (1964-85), o que lhe rendeu o apelido de "xerife" e suspeitas de ligações com a ditadura.
Entre 1977 e 1983, foi diretor-geral do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão que ficou marcado por controlar e reprimir com rigor movimentos políticos e sociais contrários ao regime. Por conta disso, foi alvo de um ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo contra civis que tiveram participação em fatos da repressão na ditadura militar. Ele foi acusado de participar do funcionamento da estrutura que ocultou cadáveres de opositores do regime nos cemitérios de Perus e da Vila Formosa, em São Paulo, na década de 70.
Em maio deste ano, juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal de São Paulo, entendeu que Tuma sabia da ocultação do corpo quando chefiou o DOI-Codi em 1978. A decisão do juiz contraria parecer do MPF que recomendou o arquivamento da ação.
Casado com a professora Zilda Dirane Tuma, teve quatro filhos e nove netos. Dos filhos, Robson teve quatro mandatos de deputado federal, Romeu Tuma Júnior foi secretário nacional de Justiça, mas acabou exonerado em meio a um escândalo, Rogério é médico neurologista e oncologista e cuidou do pai durante a internação no Sírio-Libanês, e Ronaldo é cirurgião dentista com especialização em identificação criminal.

* Com informações da Agência Senado

Exposição na Espanha mostra crueldade da pirataria após século 16

Imagem do Ministério da Cultura Espanhol
Uma exposição na cidade de Sevilha, Espanha, está contando a história dos piratas que aterrorizaram os mares após o início das Grandes Navegações, no século 15.

Rompendo com as versões romanceadas popularizadas por filmes como Piratas do Caribe, a história real, que emerge de depoimentos originais registrados no período, é de violência e crueldade.
Os relatos falam, por exemplo, de El Olonés, um francês conhecido em seu tempo como o mais cruel dos piratas caribenhos. Ele abria o peito de sua vítima, arrancava seu coração e o comia diante da tripulação.
São 170 peças, entre documentos e maquetes, que contam a história do ponto de vista da Espanha.
O evento, intitulado Mare clausum, Mare liberum, La piratería en la América española (Mar Fechado, Mar Livre, A pirataria na América espanhola), está sendo realizado pelo Archivo General de Indias e teve sua data de encerramento adiada devido ao grande interesse do público.
Versão Idealizada
"A imagem que chegou aos nossos dias mostra os piratas como aventureiros e até heróis", disse à BBC um dos guias da exposição. "A literatura e o cinema deram a eles uma aura romântica, mas a realidade era muito diferente".
"O título (da exposição) faz alusão às teorias que predominavam na Europa desde o descobrimento da América", explica o guia. "A Espanha apoiava a teoria do mar fechado, que lhe dava acesso exclusivo às novas riquezas, enquanto países como França e Holanda, que também queriam um quinhão do Novo Mundo, defendiam a teoria do mar aberto".
Franceses: Os primeiros
O primeiro caso de pirataria documentado ocorreu em 1522, quando o francês Jean Fleury interceptou a embarcação que levava os presentes do imperador asteca Montezuma ao conquistador espanhol Hernán Cortés.
Entretanto, o próprio Cristóvão Colombo tinha sido atacado antes, perto dos Açores, quando retornava de sua terceira viagem à América.
"Os primeiros a atuar foram os franceses. Os ingleses não apareceram até o final do século 16. Holandeses e dinamarqueses vieram depois do século 17", disseram à BBC as curadoras da exposição, Falia González e Pilar Lázaro.
"Foram três séculos de pressão constante sobre o tráfico marítimo mantido pela Espanha e de repetidos assaltos contra suas embarcações".
As Índias Ocidentais (como era chamado no período o continente Americano), eram um território imenso que a Espanha não podia povoar por completo, e os piratas estavam conscientes da debilidade e vulnerabilidade de seus portos.
A exposição detalha, por exemplo, a situação da cidade de Santa Marta, a mais antiga da Colômbia, destruída 20 vezes em um período de 50 anos.
Assim, aos poucos, as lendas de dragões e monstros que até então inundavam o oceano Atlântico deram lugar a uma fauna de personagens rudes e ambiciosos, tatuados ou amputados por espadas e canhões.
Mas havia vários tipos de piratas.
De corsários a filibusteros

Imagem do Ministério da Cultura Espanhol
A ilha Tortuga era, na verdade, as Ilhas Cayman

Os corsários eram piratas que assaltavam a serviço de um país, destacando-se, nessa categoria, ingleses e holandeses.
Para isso, recebiam uma licença especial, a Patente de Corso, que os autorizava a atuar contra os inimigos da coroa. O mais famoso deles foi Francis Drake.
"Drake era considerado um herói em seu país, chegando até a ser nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth Primeira", explicou o guia da exposição.
"Ele foi a segunda pessoa a dar a volta ao mundo cruzando o perigoso Estreito de Magalhães - depois de (Juan Sebastián) Elcano".
"Só conseguiu essa proeza graças ao piloto português Nuño da Silva, que conhecia a região, e a quem ele havia capturado em um ataque".
No Caribe, havia também piratas conhecidos como bucaneros. Seu nome vinha de bucán, um tipo de carne defumada que eles compravam com o produto de seus saques.
"Finalmente, havia os filibusteros (da palavra inglesa flyboat, veleiro rápido), considerados os mais malvados. Eram a soma de todos. Se dedicavam a fazer pilhagens, no mar ou em terra, e tinham sua base na ilha de Tortuga, a ilha dos piratas, hoje, Ilhas Cayman", acrescenta o guia.
Segundo o guia, os piratas da ilha de Tortuga formaram uma confraria que tinha seu próprio código de honra.
Segundo esse código, matar um membro da irmandade era um delito gravíssimo. Como punição, o assassino era amarrado ao corpo da vítima e a uma rocha antes de ser jogado no mar.
Piratas Espanhóis
Embora a América hispânica fosse a mais atacada pelos piratas, também havia piratas espanhóis que entravam em confrontos com navios ingleses e portugueses, como é o caso de Benito Soto Aboal, o mais sanguinário.
Imagem do Ministério da Cultura Espanhol
Mapa do castelo e do porto de Acapulco

Soto Aboal teria sido o último pirata do Atlântico. Em 1823, deixou um rastro de sangue no mar desde a cidade do Rio de Janeiro, de onde zarpou em um barco português.
Depois de comandar um motim, passou a abordar todos os navios que cruzavam seu caminho, entre eles, um barco americano que voltava do Canadá.
Em todos aplicava a mesma tática: matar toda a tripulação e afundar o barco.
Uma estragégia parecida com a do francês El Olonés (François l'Olonnais), o filibustero mais temido do Caribe.
Tinha fama de aventureiro e cruel, e dizia-se que ele havia acumulado muitas riquezas nas Antilhas.
Além de torturar seus prisioneiros, escolhia um para matar, arrancando o coração da vítima e comendo-o diante da tripulação.
Esse ritual cruzou o oceano e teria chegado às selvas mais profundas da América. Tão famoso se tornou o temido pirata que, segundo contam, uma tribo indígena que habitava uma região onde hoje está a Nicarágua teria reconhecido El Olonés.
"No Archivo General de Indias há um depoimento de um dos marinheiros que o acompanhavam. Segundo o relato, a tribo cortou (o pirata) em pedaços, assou-o e em seguida o comeu".
A exposição Mare clausum,Mare liberum, La piratería en la América española fica aberta até o dia 31 de outubro.

NOVAS ESPÉCIES DA AMAZÔNIA


Mais de 1.200 espécies foram descobertas na Amazônia entre 1999 e 2009 - uma a cada três dias -, segundo o relatório 'Amazon Alive', da World Wide Fund for Nature (WWF).
Durante essa década, foram descobertas 637 espécies de plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 pássaros e 39 mamíferos. Entre eles, está o peixe Compsaraia samueli (foto), descoberto em 2008 no rio Tocantins.

Fonte: BBC Brasil
Foto: William Crampton

E AGORA SERRA? DEU NA FOLHA: PROCESSO DE LICITAÇÃO DO METRÔ DE SP É "VICIADO"

Licitação do metrô de São Paulo foi carta marcada; resultado era conhecido há seis meses

RICARDO FELTRIN
DE SÃO PAULO
                                                                                            
A Folha soube seis meses antes da divulgação do resultado quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô.
O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.
A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) --ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.
O resultado da licitação foi conhecido previamente pela Folha apesar de o Metrô ter suspendido o processo em abril e mandado todas as empresas refazerem suas propostas. A suspensão do processo licitatório ocorreu três dias depois do registro dos vencedores em cartório.
O Metrô, estatal do governo paulista, afirma que vai investigar o caso. Os consórcios também negam irregularidades ou "acertos".
O valor dos lotes de 2 a 8 passa de R$ 4 bilhões. A linha 5 do metrô irá do Largo 13 à Chácara Klabin, num total de 20 km de trilhos, e será conectada com as linhas 1 (Azul) e 2 (Verde), além do corredor São Paulo-Diadema da EMTU.
VÍDEO E CARTÓRIO - A Folha obteve os resultados da licitação no dia 20 de abril, quando gravou um vídeo anunciando o nome dos vencedores.
Três dias depois, em 23 de abril, a reportagem também registrou no 2º Cartório de Notas, em SP, o nome dos consórcios que venceriam o restante da licitação e com qual lote cada um ficaria.
O documento em cartório informa o nome das vencedoras dos lotes 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Também acabou por acertar o nome do vencedor do lote 2, o consórcio Galvão/ Serveng, cuja proposta acabaria sendo rejeitada em 26 abril. A seguir, o Metrô decidiu que não só a Galvão/Serveng, mas todas as empresas (17 consórcios) que estavam na concorrência deveriam refazer suas propostas.
A justificativa do Metrô para a medida, publicada em seu site oficial, informava que a rejeição se devia à necessidade de "reformulação dos preços dentro das condições originais de licitação".
Em maio e junho as empreiteiras prepararam novas propostas para a licitação. Elas foram novamente entregues em julho.
No dia 24 de agosto, a direção do Metrô publicou no "Diário Oficial" um novo edital anunciando o nome das empreiteiras qualificadas a concorrer às obras, tendo discriminado quais poderiam concorrer a quais lotes.
Na quarta-feira passada, dia 20, Goldman assinou, em cerimônia oficial, a continuidade das obras da linha 5. O nome das vencedoras foi divulgado pelo Metrô na última quinta-feira. Eram exatamente os mesmos antecipados pela reportagem.
OBRA DE R$ 4 BI - Os sete lotes da linha 5-Lilás custarão ao Estado, no total, R$ 4,04 bilhões. As linhas 3 e 7 consumirão a maior parte desse valor.
Pelo edital, apenas as chamadas "quatro grandes" Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez e Metropolitano (Odebrecht/ OAS/Queiroz Galvão) estavam habilitadas a concorrer a esses dois lotes, porque somente elas possuem um equipamento específico e necessário (shield). Esses dois lotes somados consumirão um total de R$ 2,28 bilhões.
OUTRO LADO - Em nota, o Metrô de São Paulo informou que vai investigar as informações publicadas hoje (26) na Folha.
A companhia disse ainda que vai investigar todo o processo de licitação.
"É reconhecida a postura idônea que o Metrô adota em processos licitatórios, além da grande expertise na elaboração e condução desses tipos de processo. A responsabilidade do Metrô, enquanto empresa pública, é garantir o menor preço e a qualidade técnica exigida pela complexidade da obra."
Ainda de acordo com a estatal, para participação de suas licitações, as empresas precisam "atender aos rígidos requisitos técnicos e de qualidade" impostos por ela.
No caso da classificação das empresas nos lotes 3 e 7, era necessário o uso "Shield, recurso e qualificação que poucas empresas no país têm". "Os vencedores dos lotes foram conhecidos somente quando as propostas foram abertas em sessão pública. Licitações desse porte tradicionalmente acirram a competitividade entre as empresas", diz trecho da nota.
O Metrô afirmou ainda que, "coerente com sua postura transparente e com a segurança de ter conduzido um processo licitatório de maneira correta, informou todos os vencedores dos lotes e os respectivos valores".
Disse seguir "fielmente a lei 8.666" e que "os vencedores dos lotes foram anunciados na sessão pública de abertura de propostas". "Esse procedimento dispensa, conforme consta da lei, a publicação no 'Diário Oficial'".
Todos os consórcios foram procurados, mas só dois deles responderam ao jornal.
O Consórcio Andrade Gutierrez/Camargo Corrêa, vencedor da disputa para construção do lote 3, diz que "tomou conhecimento do resultado da licitação em 24 de setembro de 2010, quando os ganhadores foram divulgados em sessão pública".
O consórcio Odebrecht/ OAS/Queiroz Galvão, vencedor do lote 7, disse que, dessa licitação, "só dois trechos poderiam ser executados com a máquina conhecida como 'tatu' e apenas dois consórcios estavam qualificados para usar o equipamento".
"Uma vez que nenhum consórcio poderia conquistar mais que um lote, a probabilidade de cada consórcio ficar responsável por um dos lotes era grande", diz.
O consórcio Odebrecht/ OAS/Queiroz Galvão diz ter concentrado seu foco no lote 7 para aproveitar "o equipamento da Linha 4, reduzindo o investimento inicial".

SETE ANOS DE GUERRA NO IRAQUE

Refugiados fogem de Basra, no sul do Iraque. A cidade foi cercada por tropas britânicas no dia 22 de março de 2003, e as preocupações com a situação humanitária de seus moradores aumentaram quando os serviços públicos – incluindo a água – foram cortados.



http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2010/08/100831_iraque_galeria.shtml

ÁRABES QUEREM INVESTIGAÇÃO SOBRE MORTES E TORTURA NO IRAQUE


O Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, grupo que inclui seis países árabes, pediu aos Estados Unidos que investiguem detalhes de supostos abusos que teriam sido cometidos contra os direitos humanos no Iraque veiculados no site especializado em vazamento de informações Wikileaks.
Os documentos do site sugerem que as Forças Armadas americanas ignoraram casos de tortura praticada pelas tropas iraquianas, além de se omitir de "centenas" de mortos de civis em postos de controle.
Em um comunicado, o secretário-geral do grupo, Abdulrahman al-Attiyah, disse que os EUA são responsáveis pelas supostas torturas e assassinatos.
O conselho é formado pela Arábia Saudita, Kuwait, Oman, Catar, Bahrein e Emirados Árabes.
O Pentágono disse que não tem intenção de reinvestigar os abusos.
O material divulgado pelo Wikileaks – considerado o maior vazamento de documentos secretos da história – indica que os Estados Unidos mantiveram registros de mortes de civis, embora já tenham negado essa prática.
Ao todo, foram divulgados registros de 109 mil mortes, das quais 66.081 teriam sido de civis.
No fim de semana, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, acusou o site de tentar sabotar suas chances de reeleição e criticou o que chamou de "interesses políticos por trás da campanha midiática que tenta usar os documentos contra líderes nacionais".
Maliki, representante de um grupo político xiita, tenta se manter no poder depois das eleições parlamentares ocorridas em março, no qual nenhum partido obteve maioria. As negociações entre as diversas facções para formar uma coalizão prosseguem.
Seus oponentes sunitas dizem que os papeis divulgados pelo Wikileaks destacam a necessidade de estabelecer um governo de coalizão, em vez de concentrar todo o poder nas mãos de al-Maliki.
Tortura - Muitos dos 391.831 relatórios Sigact (abreviação de significant actions, ou ações significativas, em inglês) do Exército americano aparentemente descrevem episódios de tortura de presos iraquianos por autoridades do Iraque.
Em alguns deles, teriam sido usados choques elétricos e furadeiras. Também há relatos de execuções sumárias.
Os documentos indicam que autoridades americanas sabiam que estas práticas vinham acontecendo, mas preferiram não investigar os casos.
O porta-voz do Pentágono Geoff Morrell disse à BBC que, caso abusos de tropas iraquianas fossem testemunhados ou relatados aos americanos, os militares eram instruídos a informar seus comandantes.

FIQUE DE OLHO

PROJETO AUTORIZA ESTADOS A REGULAR USO DE MARGENS DE RIOS

A Câmara analisa o Projeto de Lei 7183/10, que autoriza os estados e o Distrito Federal a regular a utilização das áreas de florestas ou outra formas de vegetação situadas nas margens de rios, lagos, lagoas ou reservatórios d'água naturais ou artificiais, quando se tratar de áreas urbanas. O projeto, do deputado Fernando Lopes (PMDB-RJ), modifica o Código Florestal (Lei 4.771/65), que considera essas áreas como de preservação permanente (APPSão faixas de terra ocupadas ou não por vegetação nas margens de nascentes, córregos, rios, lagos, represas, no topo de morros, em dunas, encostas, manguezais, restingas e veredas. Essas áreas são protegidas por lei federal, inclusive em áreas urbanas. Calcula-se mais de 20% do território brasileiro estejam em áreas de preservação permanente (APPs). As APPs são previstas pelo Código Florestal. Os casos excepcionais que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em APP são regulamentados pelo Ministério do Meio Ambiente.).
Segundo o autor, o projeto vai corrigir o "exagero" contido no Código Florestal, que impede a utilização das faixas de terra próximas a córregos e lagoas. A faixa de terra protegida pela lei depende da largura do curso d’água, variando de 30 a 500 metros. Para Lopes, a consequência do "exagero" é o descumprimento da lei. "Embora a regulação da utilização dessas faixas às margens dos córregos e lagoas seja vedada, observa-se a progressiva ocupação irregular das mesmas, inclusive comprometendo mais ainda a qualidade dos corpos d'água", argumenta.
O deputado acredita que, em áreas urbanas densas, não faz sentido usar as regras gerais do Código Florestal, "até porque não há, salvo raras exceções, propriamente florestas, mas tão somente e, no máximo, alguns poucos espécimes muitas vezes exóticos". Fernando Lopes acredita que uma legislação estadual "mais próxima da realidade", associada às regras municipais aplicáveis, é a melhor solução para essas áreas.
Tramitação - O projeto foi apensado ao PL 4006/08, do falecido deputado Max Rosenmann, que também altera o Código Florestal no que diz respeito à área de preservação permanente e à reserva legal. A matéria, de caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: - se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisada pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

PARTIDOS DE MÉDIO PORTE GANHARÃO FORÇA NA PRÓXIMA LEGISLATURA

(Agência Câmara)

Partidos intermediários, que tenham de 6 a 51 deputados, somarão na próxima legislatura 275 eleitos, ou 53,6% da Câmara. Foi o grupo partidário que mais cresceu das últimas eleições para cá. Hoje, eles ocupam 197 vagas.
O resultado das eleições deste ano para a Câmara evidencia a tendência, já apontada por especialistas, de crescimento dos partidos médios e também do número de legendas.
Em 2006, os partidos grandes, que conquistaram pelo menos 10% das vagas na Câmara cada (PMDB, PT, PSDB e DEM), somaram 303 cadeiras, ou seja, 59% do total. Em 2011, esse grupo (PT, PMDB, PSDB) caiu para 220 vagas (42,9% do total).
Os partidos médios, por sua vez, ganharam força. As legendas intermediárias – com menos de 10% das vagas, mas com direito a terem líderes de bancadas (entre 6 e 51 deputados) –, elegeram 197 deputados em 2006 (38,4% do total). Neste ano, o grupo subiu para 275 eleitos, ou 53,6% da Câmara.
Já os partidos pequenos, com menos de 1% da Câmara, conquistaram 13 parlamentares em 2006 e 14 neste ano. Há quatro anos, 19 partidos tinham pelo menos um representante na Câmara. Em 2011, serão 22.
Esse quadro pode sofrer alterações até o fim do ano, já que a Justiça ainda deve julgar os casos de candidaturas indeferidas com base na Lei da Ficha Limpa. Após essa definição, contudo, a distribuição das vagas ficará estável ao longo do próximo mandato, em razão da regra da fidelidade partidária, que estabelece que o mandato do parlamentar pertence ao partido e que o deputado que mudar de legenda pode perder o cargo.
Segundo o analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Antônio Augusto de Queiroz, o crescimento dos partidos médios nos últimos anos é resultado natural do cenário político brasileiro: “Os partidos intermediários, ao contrário dos grandes, têm conseguido se oxigenar, criar novos quadros, com novas lideranças. Além disso, a sociedade tem ficado cada vez mais exigente e procurado alternativas em razão das denúncias contra os caciques do grandes partidos”.
Já para o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), o voto dos eleitores pouco influi na “pulverização de partidos”. De acordo com ele, a possibilidade de formação de coligações para a disputa das eleições é a principal causa para o aumento da quantidade de partidos na Câmara: “Nas eleições, o número de correntes ideológicas é relativamente pequeno, de três a cinco. Cada corrente reúne diversas pequenas e médias legendas”.

Blocos partidários

Queiroz aponta que a tendência natural para os pequenos e médios partidos é formar blocos partidários.
Segundo Queiroz, contudo, a possibilidade de formar blocos partidários não refreia o aumento de partidos individuais: “A manutenção das legendas é uma questão de vaidade, de os líderes preservarem sua identidade, terem a prerrogativa de negociar em nome de um grupo, ou seja, de manter uma fatia de poder que seria perdida caso as legendas se fundissem”.

A BURISSE AMERICANA

A burisse americana

Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil

Os americanos não eram burros. A burrice começou na década de 70, culpa de políticos oportunistas e, maior ainda, dos sindicatos dos professores de escolas publicas que conseguiram proteções e vantagens extraordinárias como a estabilidade, uma espécie de cátedra. Depois de três anos de trabalho, é quase impossível demitir um professor de uma escola pública.

Os salários são baixos. A maioria dos professores são atraídos pela moleza: mais dias de férias, poucas horas de trabalho e pensões generosas, mas a profissão atrai um numero baixíssimo de bons universitários. Nos três países líderes em educação - Finlândia, Cingapura e Coreia do Sul - os professores vêm da nata das universidades, têm salários altos e prestígio social.

Entre os trinta países “avançados”, os americanos, que já foram primeirões em educação, estão lá atrás em ciências e matemática.

A Finlândia, medalha de ouro em educação, estava muito pior que os Estados Unidos. Em uma geração, tornou-se campeã, com um esquema de três professores por sala com um custo de US$ 3 mil a menos do que cada aluno americano.

Estes são alguns dos fatos que você aprende num devastador documentário sobre a educação nos Estados Unidos dirigido por Davis Guggenheim. Seu filme anterior, Uma Verdade Inconveniente, sobre o envenenamento do planeta - ganhou o Oscar e seu inspirador, Al Gore, ganhou o Prêmio Nobel.

Depois do Oscar, ele recusou dezenas de propostas para focalizar outros problemas, mas, todas as manhãs, quando levava suas filhas para uma escola particular cara, em Venice, na Califórnia, passava na frente de três escolas públicas americanas e se sentia culpado.

Por que aquelas crianças nas escolas públicas não podiam ter a mesma educação que as filhas dele? Por uma daquelas escolas passavam 60 mil estudantes em quatro anos e só vinte mil se formavam. Um estudante americano que não termina o curso secundário tem oito vezes mais chances de ir para a prisão. Na Finlândia só 2% dos estudantes não se formam.

Um dos principais personagens do filme e que deu origem ao título do documentário Waiting for "Superman" é Geoffrey Canada, um líder comunitário que ficou conhecido no país pelo seu ambicioso projeto social “Harlem Children Zone”, que engloba 97 quarteirões decadentes do Harlem, inclusive suas escolas “charter”.

Geoffrey era um aluno problemático e preguiçoso. Quando perguntaram a ele quando ia sair das suas trapalhadas, respondeu: "estou esperando o Super-Homem". Ficou arrasado quando descobriu que seu herói não existia.

Educação é parte essencial da reforma dele no Harlem. O documentário acompanha cinco crianças de diferentes regiões, quase todas pobres, que querem sair das escolas públicas para escolas “charter ”, mas, como há muito mais procura do que vagas, os alunos entram por um sistema de sorteio. Este é um dos pontos cruciais e dolorosos do filme: para a maioria das crianças, o sonho americano depende de uma loteria.

A diferença entre uma escola “charter” e uma pública é o sindicato. O dinheiro das públicas e das "charters" vem do Estado, mas a direção da escola "charter" demite os incompetentes, contrata e paga extra aos bons professores, exige horas extras durante a semana e nos sábados, reduz dias de férias. O sindicato não dá palpite. Na base do mérito alguns professores podem ganhar US$ 150 mil por ano em vez de US$ 50 mil.

A revolução na educação americana foi impulsionada, em parte, pelas escolas “charters”, pelas reformas e estímulos de prefeitos como Bloomberg, de Nova York, e Barack Obama, inimigos do sindicato. Obama foi o primeiro presidente democrata desde a década de 70 que confrontou os sindicatos e se elegeu sem o apoio da AFT, American Federation of Teachers.

Waiting for "SuperMan" dá um choque mais forte nos americanos do que Uma Verdade Inconveniente pela urgência e proximidade do problema. Esta geração mal educada não tem futuro e não ha polêmicas científicas. As crianças semi-alfabetizadas estão dentro de casa. Dia e noite, americanos são bombardeados pelo próprio fracasso e pelo sucesso dos outros países.

A solução, em resumo, é o bom professor, mas o que faz um bom professor é um mistério que Bill Gates está pagando US$ 500 milhões para descobrir com pesquisas e câmeras instaladas em milhares de salas.

Paulo Blikstein, professor em Stanford, na Califórnia, é um brasileiro considerado gênio em educação:

"A figura clássica do bom professor é aquele que explica bem, que anima a sala, o professor-ator. No modelo tradicional, o importante é transmitir informação, mas, hoje, o professor torna-se muito mais um orientador de aprendizagem do que alguém que faz malabarismos em aula. A era da educação massificada acabou, a boa educação terá de ser cada vez mais individualizada. "

"Em vez de ser o único lugar de acesso ao conhecimento, a escola passará a ser muito mais um agregador e direcionador de várias atividades de aprendizado, presenciais e em rede, curriculares e extra-curriculares. Difícil, mas nada que não se consiga em 20 anos", diz Blikstein.

Ótimo. Em 2030, teremos o estudante brasileiro finlandês.

Audiência pública debaterá tarifas cobradas pela Cemar

Presidente da Câmara, José Carlos Soares, criticou durante a Cemar (Foto: Fábio Barbosa/Assimp) A Companhia Energética do Maranhão ...