ELEIÇÃO ESTÁ DEFINIDA, ANALISA JORNALISTA

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Pesquisas dão à eleição a aparência de ‘jogo jogado’

Josias de Souza

Divulgadas a pouco mais de 72 horas da eleição, as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope deram à sucessão de Lula uma aparência de jogo jogado.
Numa sondagem, a do Datafolha, a vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra é de 12 pontos. Em votos válidos: 56% a 44%.
Noutra, a do Ibope, a dianteira da petista é de 14 pontos: 57% a 43%, também na contabilidade que exclui os votos nulos, brancos e indecisos.
Nas duas pesquisas, os eleitores que ainda se declaram indecisos foram contados em 4%. Há dois dias, segundo o Datafolha, somavam 8%.
Os dados conduzem a três conclusões: 1) a vontade do eleitor petrificou-se. 2) A margem de manobra de Serra encurtou-se. 3) Dilma está na bica de virar presidente.
A supramacia de Dilma está muito distante das fronteiras da margem de erro dos levantamentos –dois pontos percentuais, nos dois casos.
A essa altura, um eventual triunfo de Serra desceria ao verbete da enciclopédia como enredo da falência dos maiores institutos de pesquisa do país.
Tomado pelo Datafolha, Serra tem cerca de 13 milhões de votos a menos que Dilma. Pelo Ibope, algo como 15 milhões de votos.
Como só há dois candidatos em campo, para se manter vivo no jogo, Serra precisaria seduzir entre 6,5 milhões e 7,5 milhões de votos até domingo.
Os indecisos somam cerca de 5 milhões de cabeças. Mas, historicamente, eles costumam se dividir entre as duas candidaturas, na proporção do resultado geral.
A prevalecer a lógica, Dilma deve atrair mais indecisos do que Serra. Significa dizer que, para ressuscitar, o tucano teria de “roubar” votos da petista.
Considerando-se que apenas três dias separam o eleitor da urna, Serra teria de conquistar algo entre 434 mil (Datafolha) e 500 mil votos por dia.
Confirmando-se o triunfo de Dilma, a vitória será mais de Lula do que da candidata. O presidente comandou a própria sucessão.
Na prática, o eleitor está concedendo a Lula uma espécie de terceiro mandato. Vota-se virtualmente nele, não nela.
Reelege-se, por assim dizer, o governo dele. Na perspectiva de que a gestão dela conserve o “êxito” refletido nos 83% de popularidade.
Numa campanha tisnada pela agenda religiosa e pela lama, virou fumaça a intenção de Serra de promover um cotejo da própria biografia com a de sua rival.
Guiada pela influência de Lula, a maioria do eleitorado opta, em verdade, por uma incógnita. Dilma há de ter qualidades. Porém...
Porém, se as possui não foi capaz de exibi-las na campanha. Preferiu vender a (falsa) impressão de que é uma supergerente.
A Dilma da propaganda eletrônica controlou toda a Esplanada com rédea curta. A Dilma real “não sabia” dos malfeitos que brotaram à sua volta, na Casa Civil.
Tampouco Serra logrou converter o currículo em prova de competência. Numa campanha errática, oscilou da adulação a Lula à crítica tardia...
...Da vergonha de FHC à defesa acanhada do legado tucano, da denúncia feroz à justificativa das próprias fragilidades.
A exemplo de Dilma, Serra inspirou mais dúvidas do que certezas. Com uma diferença: não dispõe de um Lula em quem se escorar.
Restou a Serra apostar na falência dos institutos de pesquisa.

(Post desta sexta, 29.10) no blog do jornalista na folha.com)

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