Cerco do Disque-Crack

Neste final de semana, mais um mototaxista foi preso com crack. É a terceira prisão em uma semana. Nem a Polícia, nem o Sindicato dos Mototaxistas, divulgaram números de prisões por esse tipo de crime nos últimos anos, mas são inúmeras as ocorrências envolvendo mototaxistas com o tráfico de drogas. Uma atividade criminosa rentável, que tem se infiltrado no meio de profissionais corretos e honestos como um dos braços do crime organizado.

Em declaração à imprensa, o presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Francisco Aragão, acertou no alvo: “Não podemos de maneira alguma admitir que alguns ‘gatos pingados’ possam ficar denegrindo a imagem de uma classe em que a maioria absoluta é de pessoas honestas e acima de quaisquer suspeitas”.

Correta a posição do Sindicato e da maioria esmagadora dos mototaxistas em denunciar esse tipo de crime, e cobrar a cassação de alvarás de quem se envolve com o tráfico. Há que se preservar a imagem desses profissionais, que trabalham duro, sol a pino, e na perigosa madrugada, para sustentar suas famílias.

A crack é a mais devastadora droga ao alcance de usuários de todas as classes sociais. Tem destruído vidas e famílias como um flagelo universal, das grandes metrópoles às pequenas cidades do interior. É a preferida de jovens usuários, concorrendo com a maconha. Destrói a personalidade, aliena, cria guetos de mortos-vivos, transforma o corpo em trapos, e os efeitos no cérebro são irreversíveis. Uma tragédia que desafia governos, especialistas em segurança e autoridades médicas.

Na linha do crime organizado, as armas alimentam o tráfico, e o tráfico, a corrupção nos altos escalões do poder.

No meio desse inferno, os governos impotentes. Combater o tráfico, lá em sua origem, é o que fazem, mas sem sucesso. E o dependente químico, a mercê de todo tipo de discriminação, à margem de programas que deveriam ser oferecidos, presos ao círculo de se drogar para manter o vício, e de alimentar o vício para se manter drogado.

Com raras exceções, as políticas de recuperação e ressocialização dos dependentes não existem ou não funcionam. Quem mais tem contribuído para enfrentar o problema, são as igrejas, ONG´s e parceiros da sociedade civil. Nada mais além disso.

Em Imperatriz, não se tem estatísticas sobre o número, pelo menos aproximado, de dependentes. Mas o que se vê e o que se ouve, é de assustar. Em âmbito municipal, apenas o acompanhamento psicossocial nos Caps, os Centros de Acompanhamento Psicossocial.    

Combater o tráfico, com leis duras, mas sem esquecer de que o usuário é uma vítima e não um lixo da sociedade. Temos que repensar tudo, principalmente um novo modelo para a família.




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