Ex-governador tucano Almir Gabriel fecha com PMDB no Pará


A candidatura do peemedebista Domingos Juvenil ao governo do Estado ganhou um cabo eleitoral inesperado. O ex-governador tucano Almir Gabriel se tornou um dos maiores entusiastas do candidato do PMDB e, nos bastidores, está agindo como importante articulador em busca de apoios para o deputado.

“O Juvenil vai para o segundo turno. Vai tirar o Jatene”, declara referindo-se ao candidato tucano Simão Jatene. Confrontado com números de pesquisas de opinião que mostrariam o tucano entre os primeiros colocados, Gabriel não parece se abalar. “É bom lembrar que quando fui candidato [em 1994] Jarbas Passarinho tinha 64% e eu tinha 14% quem ganhou a eleição fui eu. É bom lembrar que [em 1998] Ademir Andrade (PSB) estava na frente, seguido de Maria do Carmo (PT) e Jatene era um tracinho, quando começou a brincadeira. Jatene venceu. As pessoas precisam olhar de cabeça mais fria, menos apaixonadamente. Juvenil já está com 12% e nem foi lançado”.

Seja no apartamento em Belém, ou no sítio na Região Metropolitana, Almir é alvo de verdadeiras romarias de políticos. Recebe lideranças de todas as legendas. Às visitas, fala sempre da necessidade de mudar o Pará e pede apoios a Juvenil. “Vários jornalistas e cientistas políticos disseram que a terceira via era uma fantasia minha, mas hoje se tornou realidade. Fico feliz com isso”.

Perguntado se vai fazer campanha para Juvenil, Gabriel retruca: “Já estou [fazendo campanha]”. Mas, indagado se subirá no palanque, pede calma. “Subir no palanque não é o essencial. O mais importante agora é chamar os líderes políticos e dizer para eles qual vai ser a minha posição”. Sobre a possibilidade de aparecer no horário eleitoral gratuito do PMDB, diz que não vai se oferecer.

A aproximação com Juvenil ocorreu meio por acaso. O primeiro encontro foi no início de maio, durante lançamento do livro “Cabanos e Camaradas” de Alfredo Oliveira, primo de Almir. O evento foi no Palácio Cabanagem, sede do poder Legislativo, presidido por Juvenil. Lá, os dois tiveram uma longa conversa e o peemedebista acabou confidenciando que seria o candidato ao governo. Novos encontros foram agendados e as conversas continuaram também por telefone.

“Juvenil tem competência para chegar ao governo. Foi deputado constituinte. É presidente da Assembleia, o que não é fácil: ser presidente de pares. Ele tem condições de assumir sim”, diz.

O principal trabalho de Almir hoje é receber lideranças e tentar convencê-las de que a candidatura de Juvenil pode crescer.

“Estou na campanha no momento em que estou chamando amigos meus, não apenas pessoas do alto comando dos partidos e da capital, mas gente do interior do Estado, pessoas que capilarizam a minha afirmação sobre a terceira via”, disse, lembrando que no dia anterior à entrevista, por exemplo, havia recebido um pastor do interior de Cametá.

Almir Gabriel tem repetido que o Pará precisa mudar “ou vai continuar chorando miséria”. Indagado se o candidato tucano Simão Jatene (que foi secretário no governo de Almir e sucessor deste no Palácio dos Despachos) e a petista Ana Júlia Carepa não teriam condições de conduzir essa mudança, é categórico: “Eles já deram provas. Ana Júlia está acabando um mandato e não deu nenhuma indicação a favor disso. Pelo contrário. Ela é submissa à Vale e mais do que submisso, Jatene é empregado da Vale”.

Almir defende que uma das exigências para que o Pará cresça é mudar as relações com a maior empresa em solo paraense: a mineradora Vale.


CHAPA PERFEITA - Para Almir Gabriel, a chapa perfeita seria Juvenil candidato ao governo, com o deputado federal Jader Barbalho e a ex-vice governadora, Valéria Pires Franco (DEM) concorrendo ao Senado. Para vice-governador, Gabriel diz que o ideal era atrair o PTB de Duciomar Costa e sugere o nome do empresário Fernando Yamada, que segundo ele, tem grande aceitação na comunidade japonesa.

Almir diz ter convicção de que o PMDB aceitaria essa composição. Afirma que ainda não se encontrou pessoalmente com o deputado Jader Barbalho, mas diz que o momento não está distante.

Além do PTB e do DEM o ex-governador não descarta nem mesmo legendas que já anunciaram apoio aos tucanos, caso do PPS. “Se nos reunirmos, comporemos um legue ideológico amplo. Essa é uma construção maravilhosa para o Estado. Jader para o Senado. Tem autoridade moral, estatura política. Valéria, que tem outro enfoque, e espero que o Duciomar indique o Yamada”, explica, ressaltando que “como simples cidadão” está apenas dando um palpite e não quer interferir nas decisões internas dos partidos.

Almir lamentou a ida de Anivaldo Vale do PR para a chapa de Ana Júlia, onde será o candidato a vice. Para o ex-governador esse foi um erro político.

O que mais surpreende nas ações de Almir Gabriel em favor de Juvenil é que durante mais de uma década ele foi considerado o principal adversário político do deputado federal Jader Barbalho, presidente da legenda. Em várias ocasiões Almir teria declarado que não subiria no palanque com o peemedebista. Durante a entrevista, Almir foi indagado sobre a mudança de atitude. Garantiu que nunca houve problemas pessoais entre eles. Apenas divergências políticas.

Diante da insistência no assunto, demonstrou irritação e recorreu à história de nascimento do PSDB para lembrar que veio do PMDB e garante que a saída foi pacífica. Almir contou que ao final da Constituinte, ele e nomes como Mário Covas e Fernando Henrique propuseram ao então presidente nacional peemedebista, Ulisses Guimarães, que fundasse um outro partido com eles. “O PMDB tinha esgotado sua fase histórica de redemocratização com a promulgação da Constituição. Era necessário rever as bandeiras ou fundar outro partido, mas o Ulisses era muito arraigado ao PMDB. Coçou a orelha. Disse que daria uma resposta depois e até hoje. Significou que não aceitava a idéia de abandonar o PMDB e nós tínhamos um projeto de país”. Segundo Gabriel, ao comunicar no Pará para Jader Barbalho a saída e fundação da nova legenda, não houve litígios.

“Eu considero o Jader um maiores líderes políticos que o Estado do Pará tem”, declarou, afirmando achar “absurda” a pressão sobre o presidente do PMDB paraense feita por petistas de alto coturno como José Dirceu para que este apoiasse a candidatura de Ana Júlia Carepa. “Que história é essa de Zé Dirceu, Lula [o presidente Luiz Inácio] e Serra [José Serra, candidato tucano à presidência] darem palpite aqui dentro?”.

Para Almir, Jader “tem competência para voltar ao Senado e marcar posição pró-estado do Pará”.



PSDB - Almir Gabriel foi questionado sobre a carta que divulgou neste jornal afirmando que se desfiliaria do PSDB. Até hoje, contudo, não formalizou a saída do ninho tucano.“Ficarei até o dia em que achar conveniente. A política tem a fala, os gestos e o tempo. Precisa saber usar esses três elementos”.

O ex-governador diz, contudo, não ter mais esperanças de ser o candidato pelo PSDB tampouco bateria chapa com o candidato Simão Jatene, como muitos especularam.


(Diário do Pará)

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