HOMENAGEM A RUY FRAZÃO

Inaugurado no Liceu Maranhense, nesta terça-feira (8), em São Luís, o memorial “Pessoas Inesquecíveis”. O evento foi marcado por um ato solene em homenagem a Ruy Frazão Soares, ex-liceista, desaparecido durante o Regime Militar no Brasil.

A solenidade foi marcada por depoimentos de Felícia Moraes e Iolanda Frazão, respectivamente, mulher e irmã de Ruy Frazão, que demonstraram admiração à história de luta e solidariedade que nortearam a vida do homenageado contra o Regime de Exceção imposto no período de 1964 a 1985 no país.

Presente ao evento, o ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, destacou a importância desse tipo de homenagem. “É com grande satisfação que estamos aqui. Queremos demonstrar toda a nossa solidariedade e apreço pelos familiares desse ilustre brasileiro,

Ruy Frazão Soares

Ruy Frazão Soares nasceu em São Luís. Estudou no Colégio Aplicação Gilberto Costa e no Liceu Maranhense. Vinculou-se à Juventude Estudantil Católica (JEC). Em 1961, iniciou o curso de Engenharia de Minas na Universidade Federal de Pernambuco. A partir de 1964, já integrava a Ação Popular (AP), participou ativamente da resistência ao Regime Militar, em Recife. Foi preso e torturado, sendo julgado e condenado pela Justiça Militar.

Libertado, denunciou na Assembléia das Nações Unidas, em julho de 1965, as torturas sofridas e praticadas no Brasil. Voltando ao país, assumiu o cargo de Fiscal de Rendas, sendo lotado em Viana, interior do Maranhão. Diante da dramática situação da miséria dos camponeses, junto com companheiros da Ação Popular, restabelece contatos com lideranças camponesas do Vale do Pindaré para retomar a organização dos sindicatos, cooperativas e ações políticas clandestinas, atuando também no Movimento de Educação de Base, ligado à Igreja Católica.

Em 1968, casou-se com Felicia Soares, com quem teve um filho. Após o decreto do Ato Institucional nº 5, foi obrigado a atuar na clandestinidade. Na manhã do dia 27/05/1974, foi preso na Feira de Petrolina. Seus familiares escreveram a muitos órgãos da imprensa denunciando a sua prisão. Ainda em 1974, um preso político afirmou ter visto uma foto do perfil de Ruy, tirada depois de sua prisão, com o comentário: “o companheiro já virou presunto”.

Em 1991, a União foi responsabilizada judicialmente pela sua prisão, morte e ocultação de cadáver, decisão confirmada em 2002. Seus restos mortais, no entanto, nunca foram entregues aos seus familiares.

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