O futuro do Salimp


Por Adalberto Franklin


A Academia Imperatrizense de Letras (AIL) divulgou na semana passada os números do 8.o Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), realizado de 29 de maio a 6 de junho: cerca de 55.000 títulos disponíveis; 100 mil livros vendidos; movimentação financeira de R$ 1.800.000,00, segundo informou a RPS Eventos.

É inegável que o 8.o Salimp é um evento que eleva a autoestima dos imperatrizenses, promove e estimula a leitura e projeta a cidade como pólo cultural. Mas é oportuno dizer também que os poderes públicos nãoo têm dado até agora a devida importância ao evento. O Governo do Estado, que no ano passado se propôs a gastar mais de dois milhões de reais em uma feira do livro em São Luís — não realizada –, manteve em 2010 o mesmíssimo valor de patrocínio de 2009 (R$ 200 mil mais mídia), e a Prefeitura de Imperatriz somente 50 mil reais (também o mesmo do ano passado). Neste ano, o acréscimo em relação ao ano anterior foi um modesto patrocínio da Eletrobras, que se tornou fundamental para completar os custos mínimos do evento.

Verdade se diga: o Salimp somente foi realizado devido ao empenho e aposta da RPS Eventos, de São Paulo, que monta toda a infraestrutura do evento no Centro de Convenções, trazendo para isso a empresa Eventum, de Belém (com quem faz parceria na realização Feira Panamazônica do Livro, o quarto maior evento literário do país). Os custos reais para a realização de um evento como o Salimp é de aproximadamente 1,5 milhão de reais, embora tenha sido feito com menos de 500 mil. O Salão de Palmas sempre tem sido realizado com mais de cinco milhões de reais.

Outra dificuldade é a garantia de presença das grandes editoras. Elas não se dispõem a vir quando não vislumbrarem boas vendas. E o volume de vendas em Imperatriz ainda é considerado muito baixo. Isso, inclusive, pode ser entrave ao futuro do Salimp. Neste ano, a RPS, que vem apostando no crescimento do Salimp e no potencial de Imperatriz e região, condicionou a presença de algumas distribuidoras de livros em algumas bienais que realiza, suas presenças em Imperatriz. Sorte nossa!

Para se ter um ideia do que se faz em outros lugares, no Salão do Livro de Ribeirão Preto (SP), encerrado na semana passada, foram doados quase dois milhões reais em tíquetes vale-livros a estudantes do ensino fundamental, para estimulá-los à leitura. E a maior parte desses recursos foi arrecadada junto a empresas locais. Em Palmas, foram repassados em vale-livro mais de dois milhões de reais. Em Belém e Fortaleza, isso também é prática há muito tempo.

Não precisa dizer que a leitura é necessidade básica em qualquer lugar que se queira desenvolvido. Como disse Pedro Bandeira, o mais lido escritor infanto-juvenil do Brasil (mais de 25 milhões de livros vendidos), em palestra neste Salimp, não há nenhum país desenvolvido que não tenha grande investimento em conhecimento e alto índice de leitura. Nenhum!

A Prefeitura de Imperatriz deve encarar, na prática, o Salimp como indutor de conhecimento e promoção da cidade. Para tanto, deve colocar em seu orçamento de 2011 verbas maiores para isso (e há possibilidade de fazê-lo não apenas com recursos próprios, mas também com os recebidos do MDE). É vergonhoso dizer a PMI destina apenas 50 mil reais ao Salimp (muito menos do que destina às festas juninas, e menos de um terço do Carnaval). O mesmo se diga do Governo do Estado.

Não podemos esquecer que o Maranhão tem o mais baixo índice de leitura do país, que por si já tem um dos piores das Américas.


(Publicado originalmente em http://adalbertofranklin.por.com.br/)

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