Fatah e Hamas fecham acordo histórico


Azzam al Ahmad (c.), do Fatah, entre os líderes do Hamas, Mousa Abu Marzook (esq.) e Mahmoud al Zahar (dir.)

Após quase cinco anos de impasse, os dois principais grupos palestinos, o Fatah e o Hamas, chegaram nesta quarta-feira a um acordo político para criar um governo unificado. Em reação, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que o anúncio ameaça a estabilidade da região.

A resposta israelense chegou poucas horas após o anúncio de que o partido político Fatah, que lidera a Cisjordânia sob o governo da ANP (Autoridade Nacional Palestina) chegou a um acordo com o movimento islâmico Hamas, no poder na faixa de Gaza desde 2007, durante reuniões no Cairo.

O Hamas, que não reconhece o Estado hebreu, é visto por Israel, Estados Unidos e União Europeia como um movimento terrorista e os aliados temem que o grupo alcance maior projeção em união ao Fatah nas próximas eleições palestinas, marcadas para o ano que vem.

A Casa Branca afirmou que qualquer futuro governo palestino deve renunciar à violência e reconhecer a existência de Israel.

Netanyahu disse que o presidente da ANP, Mahmnoud Abbas, deve "escolher entre a paz com Israel e a paz com o Hamas". Em reação, o governo da Cisjordânia pediu a ele que "escolha entre a paz e a colonização".

O premiê israelense disse ainda que a mera ideia de uma reconciliação palestina "reflete a debilidade da ANP" e leva a questionamentos se o Hamas tomará à força a Cisjordânia, como fez com a faixa de Gaza em 2007 --e que levou Israel e decretar um amplo boqueio ao território.

"Espero que a Autoridade Palestina escolha corretamente e que escolha a paz com Israel. A escolha está em suas mãos", conclui.

O acordo palestino deixou muitas autoridades surpresas, já que Fatah (que comanda a Cisjordânia) e Hamas (que controla a faixa de Gaza) têm um histórico de profundas divisões sobre como reagir ao conflito com Israel.

"Não é possível a paz com os dois porque o Hamas tem a aspiração de destruir Israel e já manifestou isso abertamente", afirmou Netanyahu, em comunicado.

O anúncio do acordo foi recebido com satisfação e até com alegria pelos jovens palestinos em Gaza e em Ramallah.

APROXIMAÇÃO

As delegações palestinas, que se reuniram com o chefe dos serviços de inteligência egípcios, o general Murad Muafi, chegaram a um "acordo completo em relação às negociações sobre todos os pontos, incluindo a formação de um governo de transição e a escolha de uma data para as eleições", segundo a agência oficial egípcia Mena.

O Egito vai agora pedir uma reunião de todas as facções palestinas para assinar um acordo de reconciliação no Cairo nos próximos dias, acrescentou a agência.

 O chefe da delegação do Fatah, Azzam al Ahmad, confirmou um acordo entre os dois movimentos para a formação de um "governo de independentes".

"Esse governo deverá preparar eleições presidenciais e legislativas em um ano", indicou.

O chefe da delegação do Hamas, alto dirigente e ideólogo do movimento em Gaza, Mahmoud Zahar, confirmou que as duas partes haviam chegado a um acordo para formar um governo de transição reunindo "personalidades independentes".

As facções palestinas serão convocadas no final da próxima semana para assinar no Cairo este acordo que prevê, principalmente, a libertação dos "presos políticos", explicou Zahar à rede de televisão via satélite Al Jazeera.

PROCESSO DE PAZ

As negociações de paz com Israel, atualmente congeladas diante do avanço dos assentamentos judaicos em solo palestino, são realizadas pelas pelo Fatah e ANP. O Hamas condena qualquer diálogo.

Restaurar a união palestina, contudo, é visto como crucial para reviver qualquer prospecto de um Estado palestino baseado em coexistência pacífica com Israel. Fatah, principal corrente palestina até a vitória do Hamas nas eleições de 2006, apoia a negociação com Israel.

Nas últimas semanas, fontes do governo de Israel disseram que Netanyahu tem intenções de lançar uma nova iniciativa diplomática para impulsionar as negociações de paz com os palestinos, rompidas desde setembro passado.

Desde que Israel rejeitou a extensão de uma moratória sobre a construção em assentamentos judaicos em território palestino, as lideranças palestinas apostam em uma campanha para obter reconhecimento internacional e da ONU (Organização das Nações Unidas) a um Estado dentro das fronteiras antes da guerra de 1967.

Foto: Asmaa Waguih/Reuters 

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