NOTAS DE UMA GUERRA URBANA (1)


Feijoada, carne seca e rapadura

Trabalhando fardados do pé à cabeça, subindo e descendo morros sob um sol escaldante e carregando capacetes e armas pesadas, os 1447 homens do Exército que atuam na pacificação do Complexo do Alemão também precisam descansar.
O relaxamento da tropa acontece em uma base de operações montada em uma fábrica desativada da Coca-Cola.
O abastecimento de água é feito por caminhões do Corpo de Bombeiros. São quase 10 mil litros por dia.
Apesar de não oferecer grandes luxos às tropas, ninguém pode reclamar da comida servida aos homens. Usada há cerca de quatro anos pelo Exército, as chamadas “rações alternativas de combate” são organizadas em cardápios diversos que incluem feijoada e carne seca com abóbora.
Ao contrário de versões desidratadas ou em formato de pílulas mastigáveis, a comida servida é pré-cozida, embalada de forma especial por uma empresa e disponibilizada em sacos que podem ser aquecidos em banho maria, usando um fogareiro descartável que vem dentro da própria embalagem.
Cada soldado recebe um kit alimentação diário, que inclui até quatro refeições. O café da manhã inclui café, torrada, geleia e uma barra de cereal. Como sobremesa, há até rapadura.

Congresso dará prioridade

O Congresso Nacional dará prioridade “absoluta” a qualquer medida provisória que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva porventura tenha que editar para reforçar o caixa dos órgãos de segurança pública que atuam no Rio de Janeiro no combate ao crime organizado. Para o presidente do Senado e do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), essa é “a maneira mais efetiva” que o parlamento tem para ajudar os governos federal e do Rio, neste momento.
“Como é um caso de emergência, o governo federal, se precisar de recursos adicionais, edita uma medida provisória e nós votaremos com a maior urgência no Congresso”, disse o senador.

Rocinha e Vidigal

José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Rio, afirmou que "se se chegou no Alemão, nós vamos chegar na Rocinha e vamos chegar no Vidigal".  
Comentando a suspeita de que muitos bandidos tenham furado o cerco montado desde sexta-feira (26) e escapado do Complexo do Alemão, Beltrame ressaltou: "Tem marginais presos. E os marginais que fugiram, eu posso te garantir que marginal sem arma, marginal sem casa, marginal sem território, marginal sem moeda de troca é muito menos marginal do que era antes".

Três forças

"As três forças, Marinha, Exército e Força Aérea, estão orgulhosas de poderem ter cooperado para o sucesso dessa empreitada que foi conduzida pelo Estado do Rio de Janeiro. Foi uma empreitada árdua, nós tivemos muito pouco tempo para planejar, mas os nossos meios empregados nessa operação demonstraram que estão à altura dos anseios daquilo que a nossa população espera das suas três forças", afirmou o general Adriano Pereira Júnior, comandante Militar do Leste.

Apreensões e prisões

No domingo (28), a DRFP (Delegacia de Roubos e Furtos de Carga da Polícia Civil) apreendeu em uma só casa na favela da Grota sete toneladas de maconha. A droga estava distribuída pelos dez cômodos da casa. Além disso, a DRFP apreendeu em outras localidades cerca de 200 quilos de pasta de cocaína e mil tubos de lança-perfume.
Também no domingo, no Complexo do Alemão foi preso Vitor Roberto da Silva, 27, conhecido como Vitinho, após uma denúncia anônima. Ele é um dos chefes do tráfico da comunidade Jorge Turco, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a polícia, Vitinho teria tentado fugir disfarçado com uniforme de funcionário responsável por pulverizar áreas no combate a mosquitos.
Outro traficante preso foi Carlos Augusto, 31, conhecido como Pingo, um dos chefes do tráfico na Casinhas, no bairro de Inhaúma. Ele foi detido pela policia no morro dos Mineiros, no Complexo do Alemão. O traficante foi entregue por seu pai Ivanildo Dias Trindade. "É melhor entregar ele vivo do que morto", disse seu pai.
As forças de segurança que atuam no Complexo do Alemão também prenderam um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, da TV Globo. Elizeu Pereira, conhecido como Zeu, participou do crime, cometido em 2002, e era membro da quadrilha de Elias Maluco, um dos chefes do Comando Vermelho.
De acordo com a polícia, Zeu estava em uma região chamada de Coqueiral e ameaçou resistir. Encontrado em casa, acabou se entregando e será preso. Ele é foragido da Justiça e cumpriu apenas cinco dos 23 anos de prisão aos quais está condenado.

Porão com armas

Após receber denúncias de moradores, a polícia localizou, na manhã desta segunda-feira, uma casa no Complexo do Alemão (zona norte do Rio) em cujo porão havia armas. Segundo a polícia, foram apreendidos cinco fuzis, um rifle, duas granadas, munição, carregadores de armas e um colete camuflado.
Como o porão é muito estreito, cachorros serão utilizados para farejar o local e descobrir se há mais material.

Sete meses

Nesta segunda, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que já existe um acordo entre o governo do Estado e o Ministério da Defesa para que o Exército policie os recém-reconquistados territórios da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão até que seja possível instalar duas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas comunidades.
A previsão é de que o Exército fique sete meses nas áreas reconquistadas do tráfico.
Balanço: 50 mortos

De acordo com balanço, até a tarde de domingo havia o registro de pelo menos 50 pessoas mortas na onda de violência que começou há uma semana. Deste total, foram 36 mortes de suspeitos registradas pela PM, 7 mortes registrados pela Polícia Civil e 7 registradas pelos hospitais públicos do Rio.


(Das agências de notícias)

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