PARA REFLETIR


O tráfico não vai diminuir

Foi um grande presente de fim de ano para toda a nação ver a polícia ocupar os morros cariocas, retomando territórios dos marginais. Mas há uma pergunta simples, que faz com que tenhamos cautela diante da euforia: o tráfico vai diminuir? Vai diminuir se o consumo diminuir. Mas o consumo está diminuindo? Não há nenhuma evidência.
Se há gente que compre, há quem venda. Óbvio. O que pode ocorrer é o tráfico ficar mais sofisticado e, provavelmente, sem controle de territórios e tanta matança. Nova York consome mais drogas do que o Rio, nem por isso há mortes.
A questão é bem mais complexa do que prender traficantes. O complexo é prevenir o consumo, com programas de educação. Não é impossível. O consumo de cigarros está caindo. Vale a pena prestar atenção numa experiência realizada em São Paulo na qual jovens são treinados por especialistas em comunicação e saúde pública a falar sobre os riscos de abuso da juventude.
Uma pesquisa divulgada na semana passada mostra que apesar do pouco tempo do programa realizado na favela de Heliópolis, os primeiros resultados começam a aparecer --o detalhamento está no www.catracalivre.com.br.
O que combate o tráfico, de fato, são programas de educação, emprego e saúde pública. Ainda vai demorar muito tempo, mas as pessoas acabarão vendo que desde que seja um acerto mundial, legalizar a droga, para fiscalizá-la, não é uma solução desejável, mas provocaria menos danos do que sua proibição.
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Gilberto Dimenstein, 53 anos, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha.com às segundas-feiras.

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