Quadrilha desviou mais de R$ 5 mi em São João do Paraíso

Prefeito Boca Quente está foragido

Secretário Roberto Alencar foi preso no início da manhã em casa
PF fez apreensões e já prendeu seis acusados
A Operação Usura desencadeada nesta quarta-feira (11) pela Polícia Federal, em parceria com a Controladoria Geral da União e Ministério Público Estadual, cumpriu seis mandados de prisão temporárias (cinco dias) e 21 Mandados de Busca e Apreensão no município de São João do Paraíso, a 148 km de Imperatriz na Região Sul do Estado. Ainda faltam serem cumpridos dois mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão.


Dentre os presos, segundo a Polícia Federal, estão o engenheiro civil Roberto Alencar, atual secretário de Infraestrutura do município de Imperatriz, que foi preso na condição de representante de uma construtora que prestava serviços para a Prefeitura de São João do Paraíso entre 2005 e 2009.


Também foram presos o ex-vice-prefeito de São João do Paraiso, João Aldo Ribeiro, o atual vice-prefeito, Itamar Gomes, a ex-secretária de Educação, Raimunda Rocha, e o ex-secretário de Administração, que não teve o nome revelado.


O prefeito do município, Raimundo Galdino Leite, o “Boca Quente”, e ainda Josival Cavalcante da Silva, um agiota, também tiveram suas prisões decretadas, mas estão foragidos.


A operação é resultado de investigações para apurar desvio de recursos públicos nas áreas da saúde, educação e Fundo de Participação dos Municípios (FPM) referente ao período de 2005 a 2009 que também foram estendidas até 2012. De forma específica, esse trabalho teve início a partir dos desdobramentos da Operação Rapina III.


O delegado que comanda a operação, Pedro Roberto Meireles, explicou que no período de dois anos da investigação ficou constatado o desvio de R$ 5,5 milhões (5 milhões e 570 mil reais) por meio de um esquema até então inusitado que tinha a participação de um agiota.


“A gente sempre trabalhou numa linha e a gente acabou descobrindo outras coisas com a ajuda do Ministério Público Estadual e da CGU. A gente conseguiu descobrir um financiador da prefeitura. O motivo dessa verba ser desviada é que seria um agiota que adiantaria os recursos ao prefeito para ser descontado durante o mandato” disse o delegado.


O chefe da CGU, Roberto César Viegas, disse que a descoberta de desvio de recursos e mandados de prisão para o prefeito Raimundo Galdino e demais pessoas ligadas à administração não é novidade no trabalho da instituição que teria contribuído para a prisão de 24 prefeitos no Estado este ano. No entanto, ele ressaltou que a ação em São João do Paraíso serve para atualizar os dados sobre esse tipo de crime.


Ele ressaltou quando os auditores da CGU chegaram a São João do Paraíso em 2009 para fazer uma fiscalização de rotina após o município ter sido sorteado pela instituição. Na época, encontraram a população promovendo protestos contra a administração municipal que estava com o pagamento de salários dos servidores em atraso em função justamente dos desvios de recursos.


Roberto Alencar

O procurador-geral do Município, Gilson Ramalho, e o ouvidor-geral do Município, Daniel Souza, procuraram a imprensa para falar sobre a prisão de Roberto Alencar. Gilson, o primeiro a se manifestar, ainda na porta da delegacia da PF, explicou que a prisão de Roberto Alencar se deu por investigações realizadas em São João do Paraíso sem qualquer ligação com o cargo exercido em Imperatriz.


Ele também afirmou que o prefeito Sebastião Madeira mantém toda a confiança em Alencar. “O prefeito Sebastião Madeira tem inteira confiança em seu secretário, haja vista que em razão do cargo que ele ocupa em Imperatriz não pesar nenhuma acusação. Digo a população de Imperatriz mais uma vez que esse fato é decorrente de um trabalho realizado no município de São João do Paraíso e todo o governo municipal confia na integridade do doutor Roberto Alencar”, frisou Gilson Ramalho.


Roberto Alencar é o segundo integrante do governo do prefeito Sebastião Madeira a ser investigado pela Polícia Federal em um período de três anos. O primeiro foi o então secretário de Administração, Lula Almeida, que teve em seu desfavor um mandado de prisão temporária, mas não chegou a ser preso graças a um habeas corpus. Na época ele acabou sendo exonerado do cargo em menos de 24 horas após a divulgação de que havia uma ordem de prisão contra ele a ser cumprida pela PF. Já Roberto Alencar foi preso na condição de responsável por uma construtora que executou contratos com a prefeitura de São João do Paraíso.

Fonte: imirante.com

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