O sertanejo marejou

Sálvio Dino discursa em evento promovido pela Unisulma

Em tempos de desconfianças e indiferenças, de ausência de referências públicas e de pobreza na produção literária, ele se destaca. Sertanejo não foge à luta nem se emociona fácil assim. Sálvio Dino, aos 86 anos, é o cara. Carismático, inquieto, ele é um gigante, cujo talento e personalidade se fundem num todo impossível de ser separado.

Advogado criminalista, político, escritor, jornalista, historiador, ele não é fácil.
Na noite de sábado, em cerimônia carregada de simbolismo e de reminiscências, com a presença de um dos filhos mais conhecidos, o governador Flávio Dino, o velho sertanejo, disfarçadamente, se emocionou. O sertanejo tremeu o beiço, deitou oração discorrendo sua personalidade e os seus “acredito”. De Santo Agostinho, poetas românticos, pensadores do Direito e da política, Sálvio marejou lágrimas do passado e vitórias do presente.

Homenageado da Universidade do Sul do Maranhão - da qual agora é professor honoris causa - recebeu também a medalha Lula Almeida (advogado e político amigo seu, um dos fundadores da instituição), honrarias que deita em sua coleção de reconhecimentos.   

Do seu Grajaú, no sertão maranhense, cravou sua história em São Luís. Líder estudantil, um dos fundadores da União Maranhense dos Estudantes Secundaristas, vereador da capital, deputado estadual cassado pela ditadura militar, prefeito de João Lisboa. Autor de projeto na Assembléia Legislativa que criava a Universidade de Imperatriz (hoje, o sonho realizado com a instalação da Universidade do Sul do Maranhão), protagonista pela implantação da subseção da OAB em Imperatriz, defensor de amigos fustigados pelo regime de perseguidores, contador de estórias, “penteador” de frases e palavras, fanático do futebol.

Memorialista, eternizou em livros lugares e personagens dos confins de seu Maranhão, "das raízes históricas de Grajaú" às “barrancas do Tocantins”, hoje relançando-se com a epopéia da Coluna Prestes em terras de Carolina. É membro das Academias de Letras de sua terrinha no sertão, de Imperatriz e Maranhense.

“As dobras do tempo, uma de suas expressões prediletas, às quais conheço todas, nos trazem muitas alegrias e muitas tristezas, dor, mas resiliência, fé, para vencer as intempéries”, registrou o filho Flávio Dino, lembrando emocionado, que, como o pai, perdeu um filho com 13 anos de idade.

O filho, governador e influente político no cenário nacional, resumiu a vida do velho: um homem que acredita em Deus, na política, no Direito, na vida e no amor.

Sálvio Dino é um humanista das antigas, raros hoje de se encontrar, de cuja tinta ferra a palavra certa. Dia 10, em Carolina, estará pronto para outras emoções.       

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