Cortes na BBC podem fechar até 650 postos

A BBC anunciou nesta quarta-feira planos de fechar cinco dos seus 32 serviços de línguas, como parte dos cortes definidos pelo governo britânico para o Serviço Mundial da corporação.

Os serviços macedônio, albanês e sérvio, assim como serviços em inglês para o Caribe e em português para a África, serão fechados. O anúncio, aliado a outros cortes em outras áreas, visa economizar 46 milhões de libras (cerca de R$ 120 milhões) por ano.

Os cortes de vagas, ao longo dos próximos três anos, podem chegar a 650, de um total de 2.400 funcionários no Serviço Mundial da BBC.

A BBC Brasil continuará operando normalmente, mas nesse mesmo período terá seu orçamento reduzido em 10%. Esse corte será implementado de forma a causar o menor impacto possível na operação editorial da BBC Brasil.

Audiência

Estima-se que os cortes possam reduzir a audiência internacional da BBC em mais de 30 milhões de pessoas por semana. O diretor-geral da corporação, Mark Thompson, disse que este é "um dia doloroso" para a BBC.

O Serviço Mundial, que começou suas transmissões em 1932, tem um orçamento anual de 272 milhões de libras por ano (cerca de R$ 720 milhões). Considerando também o público do canal BBC World News, uma operação comercial, a audiência internacional do jornalismo da BBC é estimada atualmente em 241 milhões por semana ao redor do mundo - nas plataformas de rádio, TV e online.

Além do fechamento dos cinco serviços, em março serão encerradas as transmissões de rádio em ondas curtas de seis outros departamentos - hindi, indonésio, kirguize, nepalês, swahile e o serviço para a Região dos Grandes Lagos na África (que transmite para Ruanda e Burundi).

Programas de rádio em sete outras línguas - azeri (língua oficial do Azerbaijão), mandarim, rússia, espanhol para Cuba, turco, vietnamita e ucraniano - também serão fechados como parte do plano.

Com as mudanças, o Serviço Mundial passará a focar mais em serviços online, para celular e em conteúdo para distribuição por outras redes de TV nessas línguas. Dois terços das vagas serão cortadas no primeiro dos três anos em que a emissora precisa fazer os cortes.

Reação

Sindicatos de jornalistas na Grã-Bretanha chamaram as medidas de "ferozes" e condenaram o que classificaram de "cortes drásticos". Falando ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, Jeremy Dear, secretário-geral da União Nacional de Jornalistas (NUJ, na sigla em inglês), afirmou que o Serviço Mundial é "vital" e "deve ser protegido".

O sindicato também escreveu ao presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns, Richard Ottaway, e ao presidente do Comitê de Cultura, Mídia e Esportes, John Whittingdale, pedindo que eles revejam os planos.

O NUJ disse ainda que "cortes drásticos prejudicarão de forma severa os interesses nacionais da Grã-Bretanha".

"Esses cortes ferozes em um valioso serviço nacional são em última instância responsabilidade do governo de coalizão, cujas políticas estão destruindo a qualidade dos serviços públicos da Grã-Bretanha", disse Dear.

Em outubro do ano passado, o governo britânico anunciou que os custos do Serviço Mundial - pago hoje pelo Ministério do Exterior britânico - serão repassados para a própria BBC a partir de 2014. A BBC é financiada pela chamada licence fee, taxa paga por todos que possuem aparelhos de TV ou computadores na Grã-Bretanha.

De acordo com Thompson, os cortes no Serviço Mundial foram necessários para responder às economias anunciadas pelo governo britânico no ano passado, como parte de um plano de austeridade em resposta à crise econômica.

O diretor da BBC Global News, Peter Horrocks, disse que os fechamentos de cinco serviços de línguas "não refletem a performance individual de serviços ou programas".

"Eles são todos extremamente importantes para seus públicos e para a BBC", afirmou, ele, que acrescentou: "O fato é que simplesmente é necessário fazer economia, devido ao tamanho dos cortes no orçamento do Serviço Mundial".

"Precisamos focar nossos esforços nas línguas onde há mais necessidade e onde temos mais impacto."

O ex-diretor administrativo do Serviço Mundial John Tusa descreveu os cortes como "ruins". Falando ao programa Today, ele disse: "Eu acho terrível para os ouvintes do Serviço Mundial, porque eles não terão acesso aos programas, e é péssimo para a política externa britânica, porque eles estão enfraquecendo substancialmente um dos elementos mais importantes da diplomacia cultural internacional".

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